Hora de dormir

O sono de qualidade para os pequenos

Inúmeros estudos comprovam que o hormônio do crescimento só é liberado neste período. Não podemos levar em conta apenas a quantidade de horas que durou o sono, é preciso considerar também a qualidade. E distrações como telas de TV, tablets e afins contribuem para um descanso fragmentado. O que a longo prazo pode ser um fator de risco para a obesidade, afirma o professor Bernard Fuemmeler, na revista Crescer.

A má qualidade do sono prejudica a capacidade da criança entender e expressar suas dificuldades, sendo relacionada também com a hiperatividade. Já observou que quando seu filho não dorme direito ele fica irritado, mau humorado? Dormir mal influencia na saúde emocional e no comportamento a criança.

O Circo Circadiano

Um dos motivos pelos quais as crianças não dormem horas consecutivas, está relacionado ao ciclo circadiano (período de 24 horas pelo qual nosso corpo se norteia para organizar suas funções), que é diferente para elas. Assim que os bebês nascem o ciclo circadiano dura aproximadamente de três a quatro horas. Os padrões entre estar dormindo e estar acordado ainda estão se ajustando e, normalmente após os seis meses de vida do bebê, é que ele passa a dormir mais a noite.Sono de qualidade para os pequenos - grandinhos

A Higiene do Sono

A higiene do sono nada mais é que proporcionar um ambiente adequado para proporcionar um sono de qualidade para os pequenos. Este ambiente deve ser tranquilo para o descanso e estimular bons hábitos, como dormir no mesmo horário. Deve ser desenvolvido desde recém-nascido, para gerar o hábito. E é com o amadurecimento da criança que conseguiremos ver a importância da higiene do sono. É graças a ela que é possível proporcionar um sono de qualidade para os pequenos mais grandinhos.

Uma noite tranquila

Para gerar um sono de qualidade para os pequenos, é preciso criar novos hábitos, mas se quiser garantir (ou tentar) uma noite tranquila, esqueça o agito, as brincadeiras em cima da cama, músicas altas e animadas e longos bate-papos. Crie o clima de calmaria. Não ligue TV ou tablet cerca de 2 horas antes da hora de dormir, isso piora a qualidade do sono. Não se esqueça de levar a criança sempre ao banheiro antes de deitar e por fim estimule bastante a criança a se exercitar, fazer exercícios durante o dia. Isso contribui para o seu descanso a noite.

Sono insuficiente ou de má qualidade

Você vai notar que seu filho não está dormindo o suficiente quando ele apresentar queda no rendimento escolar, ficar com aspecto de cansado, com olheiras, bocejando, esfregando os olhos durante o dia. O humor da criança revela tudo também. A falta do sono ou a má qualidade dele tende a deixar a criança irritadiça. O desânimo para se alimentar também está entre as características de uma criança que dormiu pouco.

Mitos e verdades

Agora vamos analisar fatos específicos, entre o que é mito e o que de verdade funciona, levando o sono de qualidade para os pequenos!

1 – O bebê aprende a dormir sozinho

MITO. Apenas 10% dos bebês têm a capacidade de adormecer sozinhos, empregando recursos como um paninho, balançando ou até mesmo a chupeta. Os 90% precisam ser ensinados.  E nos três primeiros meses de vida do bebê, ele repete vários ciclo de mamada, cocô e sono. Então não adianta concentrar os esforços para acostumá-lo a dormir a noite toda nesta fase! É mais garantido obter sucesso nisso quando a criança tem mais de cinco ou seis meses.

2 – Chá de camomila ajuda a acalmar?

VERDADE. Mas lembre-sede que crianças neurologicamente saudáveis não necessitam de substâncias para conduzir ao sono. A verdade é que assim como outros fitoterápicos, a camomila é capaz de induzir o organismo ao relaxamento. O chá pode ser oferecido em temperatura morna após o sexto mês de vida da criança

3 – Se a criança não tirar a soneca diurna, dormirá a noite toda?

MITO. O recém-nascido necessita dormir em torno de 16 a 19 horas diárias, distribuídas igualmente entre o dia e a noite. Com o passar dos meses  o sono se concentra a noite e as sonecas são distribuídas durante o dia. Com seis meses o bebê dorme cerca de 12 horas diárias, com um sono predominantemente noturno e duas a três sonecas diárias. As sonecas podem durar até os 3 ou 4 anos da criança.

4 – Bebê acostumado a dormir no colo, dificilmente dormirá sozinho no berço.

VERDADE. Se os pais embalam o bebê no colo, estão ensinando-o a adormecer desta forma. E consequentemente quando ele acordar no meio da noite, possivelmente ficará assustado por não reconhecer onde está. O ideal é que desde o início os pais da criança deixem que ela pegue no sono no berço. Uma dica valiosa que a pediatra do Estêvão sugeriu assim que ele nasceu foi que após a última mamada, ele arrotasse ainda no colo e depois fosse colocado no berço. Descobri através desta dica que há outras formas de transmitir aconchego ao bebê (recém-nascido) mesmo ele estando fisicamente longe da gente. Então eu segurava a mãozinha do Estêvão, acariciava a cabecinha dele, o rostinho, conversava.

5- Não tem problema pegar no sono vendo TV

MITO. Adormecer diante de TV e telas não é benéfico. Quando a criança assiste um desenho animado agitado ante de dormir ela fica excitada e o relaxamento necessário para o sono é comprometido. É recomendado evitar telas cerca de 1 hora antes de ir pra cama.

6 – Música suave ajuda pegar no sono

VERDADE. Canções suaves como músicas clássicas contribuem sim para o relaxamento se forem reproduzidas em volume baixinho. Mas devem ser desligadas assim que a criança dormir. Aqui tenho a experiência da caixinha de música que acompanha o Estêvão desde que era um recém-nascido. A caixinha era ligada antes dele dormir e desligava sozinha alguns minutos após ele dormir. Esta caixinha vibra, reproduz até sons semelhante ao útero materno, o que é bem interessante ao bebê que se encontra na exterogestação. Sempre compro produtos para meu filho na Tricae, e lá você encontra lindas caixinhas de músicas com o mesmo efeito para ajudar seu filho a pegar no sono. O melhor é o preço, não fique de fora, clique agora!

7 – Luz acesa atrapalha o sono

VERDADE. A luminosidade inibe a secreção de melatonina, hormônio que induz e aprofunda o descanso. É como o hormônio do crescimento (GH) que é liberado durante o sono profundo.  Por isso escureça o ambiente. Caso a criança sinta medo de escuro, utilize uma lâmpada azul, o único tipo de luz que causa sonolência, proporcionando um sono de qualidade para os pequenos.

8 – É necessário ter rotina para dormir bem

VERDADE. O simples fato da criança ir para cama sempre no mesmo horário melhora a qualidade da continuidade do sono noturno, o que acaba melhorando também o bom humor das mães não é mesmo! São necessárias pequenas e simples atitudes para sinalizar para a criança que está chegando o momento de ir para cama. O quarto deve ser escurecido, não assistir Tv ou tela próximo da hora de ir para cama, evitar brincadeiras agitadas. Este ritual pode acompanhar um banho e até mesmo uma mamada (para os bebês). 

9 – Se a criança não aparenta cansaço, ela não precisa cochilar a tarde.

VERDADE. Até o sexto mês de vida a soneca é nitidamente benéfica, mas após esta idade os pais podem deixá-la acontecer naturalmente. Segundo o neurofisiologista Leonardo Ierardi, do Hospital Israelita Albert Einsten na revista Crescer, o ideal é ser flexível, sem impor a soneca à tarde para seu filho caso ele não esteja demonstrando cansaço. Esta necessidade pode variar de uma criança para outra.

Eu e meu filho estamos passando justamente pelo relatado acima. Ainda estamos decidindo, dia após dia a necessidade de tirar a soneca diurna ou não. Tem sido complicada tomar uma decisão acerca disso por que ele levanta cedo, as 6:30 da manhã diariamente para ir para escola. E tentamos matricularmos no turno vespertino para ele dormir mais um pouco. Porém ele dormia durante as aulas, pasmem!

10 – Sempre que o bebê acordar a noite é por que quer mamar.

MITO. Após o sexto mês de vida o bebê já tem capacidade biológica de se manter dormindo a noite toda, sem precisar ser alimentado. Após cada ciclo de sono é comum o bebê acordar, e os motivos variam, podendo ser apenas vontade de ficar com os pais. É comum que a criança acorde e aos poucos, volte a dormir sozinha e espontaneamente.

E o sono da mamãe?Sono de qualidade para os pequenos e para a mamãe

Sabe aquilo que todos dizem, para você dormir enquanto seu filho dorme? Pode seguir a risca isso sempre que possível! Falta de sono é causa de depressão nos dias atuais. Então a louça, os afazeres domésticos podem esperar, mas você, não! E a questão das telas e Tv também vale para adultos! Desligue-os ou coloque-o no modo silencioso a noite!

Brinquedos de plástico vs brinquedos de madeira?

Essa é uma questão que devemos refletir. Um objeto que fala anda, uma boneca que come bebê faz xixi cocô, diz meia dúzia de frases formata a cabeça da criança a brincar só daquela maneira, enquanto um brinquedo lúdico, de madeira estimula infinitas possibilidades, aguça a criatividade. Pense em toy store da próxima vez que for comprar um brinquedo, pense que os brinquedos precisam do dono p existir, se a criança será um expectador, não serve.

É verdade que, quando enquanto esperamos a chegada de um filho, nos informamos de tudo referente ao mundo dos bebês: cuidados de higiene, amamentação, carrinhos, roupas… Uma das últimas coisas que passa pela cabeça de uma mãe ou de um pai é o tipo de brinquedo a oferecer ao filho na primeira infância.

Partamos do princípio de que a primeira infância (dos 0 aos 6 anos) é a mais importante do desenvolvimento humano. Tudo que ocorre neste período, em todos os âmbitos da vida do bebê, repercutirá na fase adulta. É através do brincar que a criança explora o mundo. E brincar é o trabalho mais sério da criança. Portanto, pensar sobre o tipo de brinquedo que queremos que nossos filhos tenham acesso é pensar no seu desenvolvimento.

Os brinquedos de madeira sempre fizeram parte de nossa vida. Fizeram parte da infância de nossos pais e muitos de nós também tivemos a possibilidade de brincar com eles. Atualmente, eles vão recuperando seu espaço. No Instagram podemos ver uma infinidade de preciosas imagens de crianças brincando com o arco-íris Waldorf, com construções de madeira natural, com uma prancha curva ou uma casa de bonecas. Pouco a pouco, os brinquedos de madeira vão recuperando espaço ocupado pelos brinquedos de plástico.

Por que dar brinquedos de madeira às crianças?

Presença

Os brinquedos de madeira são mais pesados que os brinquedos de plástico. Logo, adquirem maior presença. As crianças tem que pega-los com mais consciência e firmeza de seus movimentos. O desenvolvimento da coordenação motora das mãos é melhor trabalhado com os de madeira.

Estimula o sentido do tato

Os brinquedos de madeira proporcionam uma sensação agradável ao tocá-los. Além disso, cada um tem um acabado distinto, com texturas distintas. Logo, oferece à criança sensações que o cérebro vai registrando enquanto brincam.

Favorece a imaginação

Quanto menos oferece o brinquedo, mais fará a imaginação da criança. Os brinquedos de plástico incorporam sons e luzes distraindo a atenção da criança para o que deveria fazer realmente. Isso não ocorre com os brinquedos de madeira. A criança tem que imaginar o que quer que o brinquedo faça. Nada vem dado ou feito, de fato. Além disso, ao ser menos estruturados são mais polivalentes.

Reduzem o consumismo

Os brinquedos de plástico são frágeis e estragam com facilidade, sobretudo aqueles mais econômicos. Isso faz com que tenhamos que estar sempre comprando novos para repor. Ao contrário, com os brinquedos de madeira, embora sejam mais caros, tem melhor qualidade. Isso ajuda que a criança tenha bons e poucos brinquedos.

Duram mais

Sendo de um material de melhor qualidade, os brinquedos de madeira, muito longe de estragar com o tempo, envelhecem. Podem ser consertados com mais facilidade do que os de plástico. Dessa forma, com um mínimo de sorte, esse brinquedo pode ir passando de geração a geração sem perder a qualidade.

Acompanham a criança nas distintas etapas de seu crescimento

Os brinquedos de madeira, ao serem menos estruturados, podem ser mais atemporais. Isso significa que pode acompanhar o desenvolvimento da criança por vários anos. Não é um brinquedo que tem uma duração de poucos meses. A criança pode brincar, se entediar e, tempos mais tarde, voltar a brincar dando-lhe novo uso. É um brinquedo que sempre dará novas possibilidades de jogo.

Permitem economizar dinheiro

Claro que sim, bonita! Mesmo sendo mais caros, se trata de um material de melhor qualidade e que pode durar por muito tempo, obviamente, se torna mais econômico. Tenha em conta que, os de plástico, ao estragarem com muita facilidade, acabam por demandar a compra de novos brinquedos em um curto espaço de tempo.

Conectam com a natureza

A madeira é um material que responde às expectativas biológicas das crianças ao nascer, no que diz respeito ao sentido do tato. Ao usar materiais naturais, provenientes da natureza, ajudamos a criança a entender a relação existente entre a natureza e a produção dos objetos cotidianos. Enfim, os brinquedos de madeira são ecológicos e respeitam o meio ambiente. Dessa forma, estamos educando as nossas crianças para o respeito à natureza desde pequenos.

Estão em coerência com o método Montessori e Waldorf

Os materiais montessori são feitos em madeira e toda sua estrutura está pensada para acrescentar à criança certas habilidades segundo o período sensível em que se encontre. A madeira, como já mencionado, favorece um melhor toque, logo uma maior firmeza no trabalho manual, imprescindível nos primeiros anos de vida da criança.

Como escolher brinquedos de madeira

Ainda assim, os materiais de madeira também devem ser escolhidos com cuidado. Ainda que as opções sejam menores em relação aos brinquedos de plástico, dentre as que há, temos que ter em conta a segurança da criança. Ter em conta as diferentes marcas e a qualidade da produção é muito importante.

Ter em conta os períodos sensíveis da criança. É muito importante oferecer brinquedos que a criança possa dar uso. Evitar gerar a frustração é uma forma de promover a sua autoestima e autonomia.

Em nosso país, há vários artesãos e lojas de brinquedos de madeira. Muitos deles, aliás, são classificados como educativos e/ou pedagógicos.

E quando dar brinquedos de plástico a nossos filhos?

Os brinquedos de plástico são ideais para ir à praia, à piscina ou de viagem, brincar na banheira durante a hora do banho ou brincar no exterior (são mais resistentes à chuva e à intempérie).

Há brinquedos de plástico que são muito interessantes para a criança. O clássico deles é o LEGO ou o Playmobil. Esse são jogos que permitem à criança desenvolver a imaginação e a lógica, a percepção do espaço e das cores…

Todas essas dicas estão em consonância com as filosofias que me inspiram: Montessori, Waldorf, Pikler e Reggio Emilia.

Função do espelho no quarto do bebê.

A criança ao se enxergar, começa a se reconhecer como indivíduo e isso auxilia no desenvolvimento da autonomia e da força de vontade.

O bebê tem grande afeição pelo rosto humano. É importante para o bebê reconhecer seu próprio rosto, identificar as suas expressões, bem como as possibilidades de movimento dele e de seu corpo. Isso não se dá de forma consciente, é um processo… E não é preciso pressa! Respeitar o tempo de cada criança é uma das premissas do método montessori. 

Aos poucos, você perceberá como o bebê irá se divertir com a própria imagem no espelho. É um barato! 🙂

Se você acompanha o blog, certamente já entendeu que o primeiro primeiro passo para a montagem de um ambiente montessoriano é adotar o ponto de vista da criança. Tudo deve estar na altura dos seus olhos, ao alcance de suas mãos e no comprimento de suas pernas.

Por isso, o quarto montessoriano deve ser um ambiente especialmente preparado para a criança, onde tudo precisa ser pensado de forma que ela fique segura e livre ao mesmo tempo.

E aí entram duas peças- chave nesse ambiente especial: a barra de apoio e o espelho de acrílico. 

Barra de apoio

A barra tem a função de ajudar a criança a se levantar ( e, depois, facilitar o começar a andar) sem depender da ajuda direta de um adulto.

Com a ajuda dela, aos poucos, a criança consegue se levantar sozinha e se locomover de acordo com sua vontade, o que contribui para a evolução motora.

Uma dica super bacana é pendurar objetos nessa barra de forma espaçada, para que a criança se sinta estimulada a alcançá-lo e, assim, tentar caminhar.

Períodos Sensíveis: O que São e Quais Seu Filho Está Vivendo Agora

Maria Montessori fez várias descobertas sobre o desenvolvimento da criança. Uma das mais fascinantes foi, sem dúvidas, a dos períodos sensíveis. Ela entendeu que ao longo dos anos, a criança fica mais sensível a um tipo de estímulo, e menos sensível a outros. Mais apta e disposta a algumas formas de esforço, e menos a outras.

Quando uma criança pode aproveitar um período sensível, desenvolve-se muito melhor, tem mais prazer em seus esforços e fica emocionalmente estável. O oposto é verdadeiro também: se ela é impedida de usufruir dos períodos sensíveis, seu desenvolvimento exige muito mais esforço e ela demonstra sinais emocionais de insatisfação diante da vida. O desenvolvimento em si ainda ocorre, mas é muito mais difícil e menos agradável.

Neste texto, vamos abordar alguns dos principais períodos sensíveis da infância, por idade. Se você quiser ir mais fundo, use os hiperlinks disponíveis. Abaixo, você tem uma tabela que pode usar para acompanhar o texto todo.

Uma nota sobre as idades: Os períodos sensíveis não começam, nem terminam, em idades exatas. A dinâmica é muito mais fluida do que a tabela acima faz parecer. Tudo pode acontecer um pouco antes ou um pouco depois, e as idades que apontamos neste texto são só linhas gerais. Sobretudo, vale o que vale sempre: observar as crianças e aprender com elas.

A Partir do Nascimento

O nascimento traz uma novidade enorme, além da própria vida: agora, a criança é corresponsável por sua sobrevivência, e precisa descobrir como o mundo funciona, e desenvolver habilidades variadas se quiser ter uma vida boa por aqui.

Período Sensível de Movimento

O desenvolvimento humano é estruturado para priorizar a sobrevivência, e nós aprendemos principalmente como uma consequência do esforço para sobreviver. Para sobreviver, a primeira habilidade que a criança precisa desenvolver é a do movimento. Por isso, ao longo dos primeiros anos de sua vida, a movimentação é uma constante.

É muito importante conhecer alguns marcos do desenvolvimento da criança, mas ainda mais importante é dar condições para que os seus movimentos possam se desenvolver de forma saudável, e permitir que a criança nos mostre do que precisa agora. Ambientes naturais, com relevos, árvores, pedras, e ambientes artificiais interessantes, com escadas, buracos, rampas, quando usados por uma criança acompanhada de um adulto que permite a exploração, são perfeitos para um desenvolvimento livre. Você verá que brincar é importante, mas que há um tipo de esforço sério e concentrado que a criança faz em seu movimento, mais nobre do que a brincadeira. Não interrompa isso. Ela está trabalhando para construir todas as habilidades necessárias à sobrevivência de um novo ser humano.

Período Sensível da Linguagem

Logo depois de conseguir se mover um pouquinho, a criança começa a se dedicar a uma segunda conquista: a linguagem. Seres humanos não são criaturas fortes, nem rápidas. Nós não populamos o mundo todo porque somos mais hábeis ou temos dentes mais afiados. Ganhamos a Terra porque trabalhamos juntos. O segundo passo da criança na caminhada da vida é conquistar a linguagem, e para isso ela precisa ouvir muito, falar muito, e ser muito ouvida.

Desde o início da vida vale a pena conversar com a criança, mesmo antes de ela responder. Conte o que você está fazendo, especialmente ao tocar o corpo dela. Depois de um tempo ela vai reagir oralmente, e você reage de volta. Aos poucos, nascem “conversas”. Continue contando histórias ao longo do desenvolvimento: sobre seu dia, sua infância, uma viagem, ou como você prepara o prato que ela mais gosta. Cantar é bom, ler é bom, poesia e histórias antes de dormir também. Telas e caixas de som não são um suporte adequado ao desenvolvimento da linguagem, é necessário ter um humano falando com outro humano. Quando sua criança falar, em qualquer etapa do desenvolvimento, escute. Isso é fundamental para que ela queira falar mais, e vai influenciar não só sua aquisição de linguagem, mas todo o seu mundo emocional interior.

Período Sensível de Atenção a Detalhes

Continue pensando na criança que se desenvolve para sobreviver. Assim que consegue se mover um pouquinho, ou que fica sem adultos por perto, precisa perceber muito bem o mundo à sua volta. Uma habilidade que ela desenvolve nesse período, e que delita-se em exercitar, é a atenção a detalhes muito pequenos.

Você talvez tenha notado que, ao olhar fotografias e ilustrações, seu filho aponta para coisas que você não tinha visto ali. Um inseto no cantinho, um pássaro numa árvore ao fundo. Essa habilidade é nova e fascinante para a criança, que descobre um mundo novo de coisas minúsculas. Nossa principal responsabilidade nesse período é compreender a fixação da criança. Ela vai deitar no chão, vai passar muito tempo olhando algo que não estamos vendo, e vai impedir sua mão de virar a página do livro enquanto ela não acabar de examinar a figura. A gente espera, e observa, como Montessori ensinou e como as crianças gostam tanto que a gente faça.

Período Sensível do Desenvolvimento dos Sentidos

Mesmo antes de nascer, a criança já recebe impressões sensoriais. A criança lembra da voz da mãe, e se reconforta com ela, desde o início da vida. Quando chega, a criança se depara com uma enormidade de estímulos distintos, e há mais para absorver do que ela conseguirá, mas ela tenta!

Conforme tenta, aprende a diferenciar cores (não pelo nome, mas visualmente), formas, sabores, texturas, temperaturas, aromas e tudo o mais que o mundo pode oferecer. Nós não precisamos ajudar, mas é bom preparar o ambiente para que ele não atrapalhe. Um bom espaço não oferece estímulos demais: paredes e mobília neutra e de cores leves; poucos brinquedos e que não produzam barulho eletrônico ou luz; quase nenhuma decoração. À parte disso, a criança deve ficar conosco sempre que estivermos pelo mundo – Montessori sugeria slings – assim poderá absorver mais daquilo que a realidade oferta. E quando estivermos em casa, e pudermos ficar com um olho dedicado às crianças, deve ter liberdade para ficar pelo chão, explorando e desenvolvendo a vida.


A Partir dos Dois Anos

Aos dois anos, há coisas importantes acontecendo: a criança já tem alguma independência física, sabe andar e pegar, carregar e empurrar, abre e fecha com algum sucesso, e encaixa coisas. Para chegar a isso, a criança trabalhou muito, e esse esforço todo gerou uma outra habilidade fascinante: a vontade. Até perto dos dois anos, a criança é escrava de impulsos quase sempre instintivos. Por perto do segundo aniversário isso começa a mudar, e a criança começa a querer, e não querer. Nesse mesmo período, porque já é muito mais independente, a criança precisa ousar mais, e começa a notar que seu sucesso e seu fracasso dependem de si. A partir dos dois anos, surgem períodos sensíveis de outra ordem, em uma tentativa da criança de organizar sua presença no mundo.

Período Sensível da Ordem

Porque agora a criança tem uma independência física considerável, ela ousa mais. Não fica sempre por perto dos adultos, que lhe emprestavam a segurança da presença. Agora, ela precisa se sentir segura também em suas relações com o ambiente e o tempo. Por isso, começa aqui um período sensível que durará cerca de dois anos, ao longo dos quais a criança precisará de ordem como precisa de ar.

Há três tipos de ordem que a criança exige da vida: ordem no ambiente, ordem no tempo e ordem na conduta do adulto. A ordem no ambiente quer dizer que a criança deseja encontrar cada coisa em seu lugar e cada coisa sempre no mesmo lugar. Nem sempre nós conseguimos deixar tudo no lugar, e livros se acumulam nas mesas e louças na pia. A criança pode lidar com isso, mas é importante que as coisas fiquem no mesmo lugar: que os livros se acumulem só na mesa, que a louça se acumule só na pia. A criança precisa saber como seu ambiente é para poder se arriscar em novas conquistas, e por isso é importante que ele se repita dia após dia. A ausência disso leva ao desespero.

A ordem no tempo significa que a criança precisa ter rotina. Mas não sabe ver as horas. Então o relógio não importa. Importa menos o horário e muito mais a sequência em que as coisas serão feitas: café da manhã, escovar os dentes, tomar banho, vestir-se, pegar a mochila. A repetição de sequências, sobretudo de manhã e à noite, e antes das refeições dão para a criança uma referência do tempo que é preciosa para sua organização interior. A ausência disso leva ao desespero.

A ordem na conduta do adulto é a coerência de nosso comportamento, especialmente no que diz respeito à maneira como interagimos diretamente com a criança, e aos limites que colocamos. Porque estamos cansados ou felizes, com dor de cabeça ou com renovada alegria, nossa tolerância, nossa interação e nossas expectativas variam. Quando a criança não pode ter certeza de nossos comportamentos, e muito a pega de surpresa, ela se revolta bastante. Precisamos ter claros quais são os limites importantes na criação das crianças, garantir esses, e deixá-la livre para se desenvolver.

Período Sensível de Graça e Cortesia

Conforme a criança percebe nossos comportamentos mais comuns, passa a imitá-los, e procura se portar de uma maneira que agrade aqueles ao seu redor. Isso é o despertar de um senso de comunidade precioso, que conduz a criança a uma busca por comportamentos cada vez mais perfeitos. Nós podemos ajudar de várias maneiras na conquista de um refinamento de suas ações.

A primeira forma, claro, é nos portarmos bem. Montessori sugeria que sempre oferecêssemos à criança o melhor de nós, e a tratássemos com o melhor das boas maneiras. Mas devemos ir além: sempre que a criança estiver nos vendo, devemos nos portar (ainda sugestão de Montessori) como se estivéssemos na companhia de pessoas nobres. Se a criança puder ver o adulto sendo educado, delicado, polido, ela também buscará ser. E nós podemos ajudar estruturando cenas para treinar, em que ensinemos fórmulas de etiqueta e ela possa imitar, em encenações que façamos juntos. O mesmo pode ser feito com gestos do dia a dia que podem ser mais e mais delicados, como colocar uma mesa, usar um guardanapo ou abrir e fechar uma porta. A criança se apaixona pela busca da perfeição, e no processo aprende a adequar seu comportamento a toda sorte de situação social.

Período Sensível de Música e Ritmo

Este é um período sensível que começa antes dos três anos, mas fortalece-se depois. Então não esqueça dele mais tarde. Conforme a criança escuta os sons do mundo, percebe padrões. Sons altos e baixos, graves e agudos, repetições rápidas ou lentas. Ela explora esses sons, por curiosidade e prazer. No mesmo período, a música que sempre ouviu começa a fazer mais sentido, e ela repete e inventa a partir daí.

Nós podemos dar um excelente suporte para o envolvimento da criança com a música, mesmo sem sermos músicos. Uma forma, natural e evidente, é colocar música para tocar. Mas não como pano de fundo para outras atividades barulhentas: música enquanto conversamos e lavamos louça, por exemplo. E sim com a dignidade e importância que a música merece: colocar música para ouvir música. Em silêncio, usufruindo do prazer e das sensações que a música transmite. Podemos e devemos convidar a criança para ouvir conosco, mas se ela não quiser, podemos ouvir nós mesmos. Lembre-se: o que a criança nos vê fazendo, faz também. Além da música, é importantíssimo o silêncio. Ele sim é o pano de fundo perfeito para as atividades diárias, e permite que os sons sejam todos ouvidos. As crianças podem ter instrumentos musicais, simples ou complexos, indígenas, orientais, ou de nossa comunidade próxima. Mas é importante que sejam bons instrumentos. Maus instrumentos acostumam o ouvido a ouvir errado. Em lugar do próximo brinquedo, você pode encontrar um instrumento para o seu filho. Se ele demonstra interesse, aulas de música (e antes, a musicalização) podem ser boas opções. Para isso, busque um profissional que trabalhe com a música como uma forma de ajudar o desenvolvimento da criança, e não como uma tarefa obrigatória à qual a criança deve se submeter para satisfazer os adultos ao seu redor.


A Partir dos Três Anos

Período Sensível do Refinamento dos Sentidos

Você vai se lembrar de que desde o nascimento, a criança está absorvendo o mundo pelos sentidos. Quando chega perto dos três anos, dá um passo além: passa a organizar as sensações que absorve a partir de princípios e critérios. Você talvez já tenha visto as crianças colocando potes dentro de potes dentro de potes. Ou montando alguma coisa só com os bloquinhos vermelhos. Isso é a organização interior da criança em ação. Para entender, ela busca categorias, como um cientista trabalhando.

Nós podemos ajudar as crianças nesses esforços de duas maneiras principais. Primeiro, permitindo que ela faça as coisas que está fazendo. Nós temos por hábito impedir, interromper e ajudar demais. Muitas vezes, permitir, observar e esperar são atitudes mais sábias e que dão mais apoio ao desenvolvimento. A segunda maneira é, a partir daquilo que vemos que a criança tenta fazer sozinha, apresentar para ela possibilidades de atividade, mesmo. Por exemplo, colocando em um pote vários blocos vermelhos, azuis e amarelos, e mostrando a ela como separar esses blocos em três outros potes menores. Ou derramando em uma vasilha quatro ou cinco castanhs, nozes e amendois, e pedindo para que ela separe, da mesma maneira (depois de ter sucesso algumas vezes, ela pode fazer isso de olhos fechados). Encontrar as tampas corretas para potes e panelas também é interessante, assim como colocar pequenas quantidades de tempero nos vidros onde já há uma outra quantidade do mesmo tempero, partindo dos aromas. Em Montessori, nós temos materiais para tudo isso, mas em casa você pode usar a casa, mesmo, e envolver a criança nos espaços e tarefas da casa, observando bastante e criando um pouco.

Período Sensível da Escrita e da Leitura

A escrita e a leitura chegam só agora, mas nós podemos preparar as crianças para isso desde muito antes. E não é com as letras! Para ter um bom desenvolvimento no período sensível da alfabetização, as crianças precisam ter um excelente vocabulário. Por isso, tudo o que foi dito no período sensível da linguagem ainda é verdadeiro aqui. Primeiro, fazemos tudo aquilo para ajudar a criança na aquisição da linguagem. Depois continuamos, para dar suporte ao aprimoramento do vocabulário, da sintaxe e das estruturas da língua.

Finalmente, quando a criança passa um pouco dos três anos, começa a experimentar com os sons das palavras. Essa é nossa deixa. A alfabetização em Montessori é complexa, e merece ser estudada por si (neste texto aqui e no livro Descoberta da Criança). Em linhas gerais, o que fazemos é apresentar a criança à segmentação fonética das palavras: barco é apresentado como “barco” e como “b-a-r-c-o”, sem letras, só com a pronúncia, por meio de uma sequência de jogos. Depois que a criança compreende que sons existem separadamente, passamos às letras propriamente ditas, com dois materiais. O primeiro, as Letras de Lixa, conduzem à associação dos sons com as formas das letras, e seus traçados. O segundo, Alfabeto Móvel, leva a criança a construir palavras de seu repertório (por isso um bom vocabulário é importante!) com liberdade e podendo explorar à vontade, sem medo do erro e da correção.

A leitura chega quando a criança explorou a escrita o suficiente. Depois de compor muitas palavras, a criança olha para um delas e a reconhece como uma palavra. Um todo, e não só uma sequência de partes. Às vezes o adulto pode ajudar esse salto a acontecer. Uma vez que ele ocorra, a criança deseja ler muito, e nós podemos dar muito a ela: etiquetas com palavras para ela grudar ou pendurar pelo ambiente, pedacinhos de papel com “ordens” simples que ela possa executar, como pular e beber água, e depois “ir até o quarto e abrir a gaveta”, até que ela esteja lendo frases longas e parágrafos inteiros sobre tudo que lhe interesse. É claro que ler livros para e com a criança pode fazer parte disso, e deve fazer parte disso ler para você mesma(o) em momentos que a criança possa perceber o que você está fazendo.

Período Sensível da Matemática

A mente da criança vem se preparando desde muito cedo, não é? Ela absorve o mundo pelos sentidos e pela observação do comportamento, depois organiza tudo isso em padrões repetidos e categorias limitadas, e repete e imita na busca da exatidão e da perfeição. Tudo isso serve à preparação indireta do que Montessori chamou de Mente Matemática. A mente humana busca compreender o mundo encontrando repetições, padrões e categorias. E a Matemática é a linguagem que permite a expressão de tudo isso.

Começamos a apresentação de quantidades. Utilizamos as Barras Vermelhas e Azuis, material montessoriano com barras de tamanhos diferentes que indicam quantidades de 1 a 10. Os algarismos chegam depois, em associação às quantidades já conhecidas, e em seguida a criança passa à contagem, com os Fusos, que também apresentam a ela a noção de zero. Os materiais montessorianos de matemática são preparados com o máximo de exatidão possível, e isso lhes empresta todo o interesse, porque a criança é atraída pela possibilidade de executar algo exato, e pela sensação mista da surpresa e do previsível. Há materiais para as seis operações matemáticas e para tudo o que se segue. Se você se interessa pelos materiais, busque mais no livro Descoberta da Criança, de Maria Montessori.

Depois que a criança domina os números, e as noções de unidade e dezena, utilizamos uma série de tábuas e quadros tanto para exercícios com o conceito de soma, multiplicação, divisão e subtração, quanto para a execução de operações. Montessori apontava sempre, e com uma ênfase especial na escrita e na Matemática, que o material é só o ponto de partida, e um lugar seguro para retorno, mas que a criança deve se libertar dele em seu processo de amadurecimento intelectual, e ser capaz de executar qualquer operação sem o uso do material, depois que o dominou completamente.

O que as crianças nos dizem

Para identificar os períodos sensíveis em que nossas crianças se encontram, o melhor é observar seu comportamento. Você tem uma excelente tabela em mãos, e explicações sobre cada período sensível aqui e nos outros textos indicados em hiperlinks. Aproveite. E retorne sempre à criança que está à sua frente. Ela lhe mostrará onde está no desenvolvimento e qual o tipo de ajuda que pode receber. Os períodos sensíveis são oportunidades fascinantes para a vida infantil e tudo o que vem depois, e devemos os aproveitar sempre.

E se já passou?

Quando um Período Sensível já passou, a criança ainda pode se desenvolver e aprender. E ela ainda pode aproveitar os aspectos de Montessori que a ajudariam no período sensível. A diferença é que será necessário mais esforço da parte dela e mais paciência e compreensão da nossa. Você ainda pode recorrer às sugestões deste texto, e a vida de sua criança ainda pode ser plena e feliz. Para habilidades específicas ela vai precisar um pouco mais de você, e é importante lembrar disso. Fora dos períodos sensíveis, a presença do adulto e alternativas para tornar as atividades interessantes, adaptando-as a idades diferentes, é fundamental.

De forma geral, vale o que vale sempre: Observe sua criança. Ajude a aproveitar os períodos sensíveis, e você vai notar não só um desenvolvimento mais fluido e agradável, mas uma vida emocional mais estável e feliz. Os períodos sensíveis são necessidades do desenvolvimento, e a satisfação dessas necessidades traz paz e força para a criança pequena.

Montessori

A criança está te tirando do sério?

Na verdade crianças não “tiram os adultos do sério”.
Adultos já estão “fora do sério”.
Adultos vivem “fora do sério” por questões pessoais!
Por suas próprias frustrações, preocupações, medos, mágoas, receios, pressa, pressões externas e internas. Os adultos estão constantemente fora de si, desarmonizados, encolerizados, contidos, como bombas prestes a explodir.
O que acontece é que mais facilmente se deixam explodir quando precisam lidar com quem é menor, mais frágil, indefeso, quando lidam com quem não precisam temer uma retaliação…
Por isso, antes de se permitir “sair do sério” com uma criança, reflita se você já não está “fora do sério” por outras razões em sua vida, razões que só você pode (e deve) tentar mudar!
Talvez seja a vida apressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa andar mais devagar para olhar pedrinhas na calçada.
Talvez sejam as contas para pagar e os prazos para cumprir, que consomem, além de energia física, uma preciosa tranquilidade mental, tão necessária para desfrutar da companhia dos filhos.
Talvez sejam as expectativas pessoais, que visam sempre um futuro melhor, mas fazem esvair por entre os dedos qualquer possibilidade de viver o agora, e tal impossibilidade grita através do choro dos filhos, que imploram neste momento a atenção de hoje.
Adultos estão constantemente “fora do sério” por causa das mágoas do passado, da pressa no presente e das angústias do futuro!
E as crianças, na verdade, precisam de muito pouco. Porém, o pouco que elas precisam é algo que se tornou muito difícil para nós, adultos! Elas precisam de tempo de qualidade, de olhar demorado, de presença verdadeira, sem TV ligada, sem atender o celular no meio da brincadeira, precisam de uma volta na pracinha sem um “anda logo”.
As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrirmos que somos, ou estamos, incapazes de realizar mesmo as coisas mais simples.
São as coisas simples que carregam em si as maiores alegrias. Nossas escolhas, conscientes ou não, determinam muitas coisas em nossas vidas, e as crianças chegam depois que muitas dessas escolhas já estão solidificadas; e chegam em meio a um turbilhão de preocupações, prazos, horários, dívidas e metas, chegam silenciosas em meio a mil vozes que nos dizem que são elas, as crianças, que precisam se adaptar e se encaixar. As crianças chegam nos pedindo um pouco mais de tempo, passos mais lentos, olhares mais atentos, abraços sem pressa, sorrisos sem limites…
Chegam nos mostrando que nem nós deveríamos aceitar nos encaixar na vida atribulada e vazia, que nos consome na mesma medida que consumimos cada dia sem sentir, sem perceber.
As crianças não nos cobram, elas nos mostram que estamos incapazes de desacelerar, de sorrir, de contemplar, de cantar ou dançar, de respirar e suspirar, de sentir alívio ou paz. E em vez de refletirmos sobre nossas escolhas, que podem não ter sido as melhores até então, mas que podem melhorar, ou até mesmo serem diferentes a partir de agora, a gente “prefere” brigar com as crianças, bater nas crianças, sair do sério com as crianças!
Os filhos nos lembram constantemente sobre o que realmente importa, especialmente quando nem queremos que nos lembrem dessas coisas. Os filhos querem apenas um pouco mais da gente mesmo! Mas isso se tornou quase impossível, pois perdidos entre as experiências do passado, a pressa no presente e o medo do que virá amanhã, nem conseguimos nos lembrar quem somos, ou quem queríamos ser…
Não lembramos mais quem somos em meio a tantas preocupações e angústias!
Precisamos refletir não sobre os adultos que nos tornamos, mas sobre as crianças que nós mesmos um dia fomos!
Tentar lembrar o que sentíamos, o que desejávamos, o que era importante para nós quando éramos pequenos!
Não existe criança que precisa apanhar para aprender, o que existe, infelizmente, é adulto que precisa bater, e que batendo, acredita que está ensinando algo bom.
Bater, agredir, gritar, deixar chorar, apressar, negar, brigar, culpar, ignorar…
E isso tudo por causa de suas próprias questões pessoais.
É difícil e trabalhoso enxergar que o problema no comportamento da criança pode ser a escola que ela é obrigada a frequentar, é muito difícil e trabalhoso enxergar que o problema pode ser o ritmo acelerado da vida que nós escolhemos.
Pode ser trabalhoso perceber que o problema pode ser as pessoas que rodeiam as crianças.
Pode ser difícil e doloroso enxergar que o problema pode ser a gente mesmo.
Por isso, e por muitas outras coisas, decidimos que o problema é a criança, e por não conseguirmos mudar o contexto que nós vivemos, tentamos mudar a criança.
Romper com o passado, mudar o presente e temer menos o futuro, pode dar muito trabalho!
Então, decretamos que são as crianças que nos tiram do sério.
Quando cuidar e educar se limita a fazer dos filhos aquilo que a gente quer, quando se limita a enquadrá-los à força dentro de uma rotina alucinada, perdemos toda a leveza, a liberdade e a alegria.
Tudo se torna extenuante, e até o que é natural é percebido como se fosse um problema.
Existem métodos, dicas de disciplina positiva que podem indicar o caminho, mas não há soluções prontas, especialmente se o que os pais procuram é um método milagroso que elimine todo e qualquer conflito.
As situações tensas, os embates, as crises, sempre vão existir, e são parecidas em todas as famílias, o que difere é a capacidade que algumas pessoas tem de lidar com elas de uma forma mais leve e produtiva.
Não adianta querer ser imediatista. E atualmente todos sofremos deste mal, queremos ser atendidos imediatamente, queremos que as encomendas cheguem o quanto antes, queremos que a fila ande o mais rápido possível, nós, os adultos, queremos que o link abra em um segundo, queremos o resultado já, agora, neste instante. E no que diz respeito a relações humanas, o tempo de resposta não está na velocidade de um clique, a resposta está na confiança que se planta a cada dia, mas se colhe num tempo que não podemos controlar. Criar e educar é uma construção diária, lenta, trabalhosa, que se prolonga por todo o tempo que durar a relação, ou seja: provavelmente a vida inteira.
O diálogo, a confiança e o respeito se constroem dia a dia, nas coisas simples, através dos detalhes.
Algo que aparentemente não deu certo em uma determinada situação pode ter sido uma semente a germinar e gerar frutos benéficos em um futuro próximo ou distante.
Nada se perde no que diz respeito aos cuidados com os filhos!
A maioria das situações de conflito que surgem, especialmente as rotineiras, as que se repetem, podem ser evitadas e contornadas.
Os momentos de crise, de embate entre pais e filhos, podem ser superados de forma harmônica e construtiva, isso se houver um pouco mais de paciência, boa vontade, autoconhecimento e tempo, coisas que dependem dos adultos e não das crianças.

Carl Gustav Jung já dizia que se você encontrar algo que gostaria de mudar em uma criança, deveria antes se perguntar se não há algo que você deveria mudar em você mesmo. Antes de erguer a voz para uma criança, reflita sobre o quanto está ouvindo a sua própria voz interior, e se está sendo capaz de compreender o que esta voz lhe diz. Antes de erguer a mão para uma criança, reflita sobre o quanto está erguendo a mão para mudar o que não está bom, dentro e fora de você… Que nos sirva apenas de alerta, ou como um convite para refletirmos, que sempre há muito a ser mudado em nós mesmos, quando temos o ímpeto de mudar algo em uma criança!


Fonte – https://www.facebook.com/notes/vis%C3%A3o-clara/se-seu-filho-te-tira-do-s%C3%A9rio-isso-pode-ser-s%C3%A9rio/198816253799149

5 dicas para aplicar o método Montessori em casa.

Segue 5 dicas valiosíssimas baseadas no método Montessori.

E recomendo muito que vocês leiam e acompanhem o Lar Montessori, lá tem muita informação bacana, inclusive essas dicas de hoje que compartilho com vocês.

É claro que seguir esses princípios não substitui uma educação completa com base no Método Montessori, onde os educadores recebem uma formação bem extensa! Porém, podemos nos inspirar e colocar em prática esses pilares de atitudes com os filhos.

Quando um educador montessoriano está em contato com a criança, ele sempre precisa ter mente essas 5 atitudes-chave:

1) Confiar na criança e não a interromper

Uma das falas mais conhecidas de Maria Montessori diz justamente sobre “não interromper uma criança naquilo que ela acredita que seja capaz de fazer sozinha”, ou seja, se ela acredita que pode, nós podemos fazer isso também – acreditar nela.  Isso também inclui incentivá-la para que ela acredite cada vez mais em suas capacidades e autonomia e, quando for necessário, podemos oferecer o mínimo de ajuda para que ela possa confiar em si mesma e voltar a agir por si.

2) Falar baixo, devagar e olhar nos olhos

Geralmente agimos com as crianças no impulso de fazer com que elas nos obedeçam pelo simples fato de sermos os adultos e elas, as crianças. Mas no Método Montessori a ideia é que a criança possa nos ouvir, compreender e acatar ao que estamos dizendo pela admiração. Ou seja, a criança vai seguir a orientação por vontade e por compreender os motivos, e não por medo, que é o que acontece quando gritamos. E mesmo quando há a necessidade de colocar limites, isso é feito de forma calma, olhando nos olhos, com tom de voz baixo e devagar.

3) Mostrar repetidas vezes

Apresentar algo a uma criança repetida vezes (Montessori fala em “incansáveis vezes”) significa dar a ela a oportunidade de se aprofundar em uma experiência e em todas as suas possibilidades, isolando nosso julgamento de que ela simplesmente não gosta de tal atividade ou não é boa em tal tarefa (o que seria rotular a criança). O Lar Montessori nos dá o exemplo de considerarmos que a criança não gosta de cozinhar porque a convidamos por algumas vezes para realizar a tarefa e ela não se interessou, porém, desconsideramos que há muitos fatores que podem ter interferido nessas vezes em que ela teve contato com a experiência, como cansaço, falta de gosto pelo cardápio preparado, entre outros. É preciso darmos a ela a oportunidade de vivenciar a tarefa profundamente.

4) Observar, organizar e agir

Ter um planejamento ao longo do dia e da semana com a criança é muito bacana, mas acima disso, é preciso saber observar do que exatamente aquela criança precisa. E esse planejamento de atividades deve ser flexível e baseado em cada criança, em particular, levando em consideração as suas características e necessidades. É assim que o educador montessoriano faz – o planejamento existe, mas ele não está acima da observação das necessidades, ritmo e individualidade da criança. Isso também desfaz nosso ideal de que a criança deve fazer, receber ou mereça o que nós, adultos, queremos.

5) Corrigir o ambiente, não a criança

Um ambiente preparado é um dos Pilares do Método Montessoriano, isso porque ele tem grande importância sobre o comportamento da criança. Nossas casas, em geral, não costumam ser ambientes preparados para as crianças e sim para os adultos. Como consequência disso, estamos sempre querendo corrigir os comportamentos que consideramos incompatíveis ou perigosos. É preciso pensarmos em adaptar ambientes e modificá-los conforme as necessidades de exploração das crianças para que elas possam se sentir parte desse todo, desse meio em que elas estão inseridas e que, afinal, também é delas. Quando as crianças vivem melhor no ambiente mais adequado para elas, vivem mais felizes e há menor necessidade de disciplinar certos comportamentos, até porque, esses comportamentos serão mudados como consequência da adequação de suas necessidades ao local. Tem mais sobre o Ambiente Preparado aqui, neste link.

E aí, o que você achou dessas dicas? Deixe seu comentário.

São bem possíveis de serem aplicadas em casa não é?

Fonte: Lar Montessori

As crianças e os meios electrónicos de comunicação — Gracinda e a Psicologia

A presença dos meios electrónicos de comunicação na vida das nossas crianças é hoje em dia uma inevitabilidade. A televisão, o tablet, o computador e o telemóvel, são presenças assíduas na vida dos nossos filhos desde cedo. Estes dispositivos são frequentemente diabolizados, mas podem ter uma utilização útil e favorável se disponibilizados de forma equilibrada, […]

via As crianças e os meios electrónicos de comunicação — Gracinda e a Psicologia