Maternidade

Montessori em casa

Nesse post vou explicar um pouco sobre os pilares da filosofia Montessori e como podemos aplicar na prática.
A metodologia Montessori é o que as escolas aplicam, é um método educacional voltado para escolas. Já a filosofia Montessori é o que podemos aplicar em nossas casas. E para começar, existem 3 pilares teóricos que embasam todo o desenvolvimento da aplicação Montessori para a criança. São eles:

  • Um adulto consciente;
  • Um ambiente preparado e;
  • Conhecimento sobre a criança.

O adulto consciente – É exatamente isso, se conscientizar de que a educação tradicional, como é feita na nossa sociedade não ajuda a criança, e sim atrapalha o seu desenvolvimento. Não vivemos mais como antigamente.
Como posso ensinar uma pessoa a não bater, batendo nela? A não mentir, dizendo para ela que o nariz vai crescer?

A preparação que nosso método exige do professor [adulto] é o autoexame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta”.
(Montessori, 1983)

Qual é a nossa meta? A minha é não só criar, mas sim fazer a diferença na vida dela, educá-la para a vida. Ou melhor, assisti-la, acompanhá-la.

Vou te contar que é a tarefa mais difícil para nós pais, e professores também. Significa autocontrole, autoconhecimento, equilíbrio, disposição para literalmente, trilhar novos caminhos, novas respostas (sinapses). No cérebro existem os caminhos que estamos habituados a fazer, é automático. Quando você vai amarrar os seus cadarços por exemplo, você não pensa mais passo a passo de como se faz isso, ou pensa? É mais ou menos por aí.

É preciso se colocar numa posição secundária, passiva, nos esforçarmos para compreender a criança, auxiliar, guiar seu desenvolvimento, perceber e seguir a orientação que a própria criança nos oferece, e considerar uma honra compreendê-la e segui-la.

Coisa linda né? E quando você tem hora para sair, prepara tudo na véspera, acorda mais cedo e se arruma, faz tudo. E na hora da pessoinha se vestir ou escovar os dentes faz aquela birra. Eu não quero essa roupa! Na hora de colocar a fralda, parece um polvo de tanta perna e braço. Na hora de escovar os dentes, fecha a boca e ainda diz: hmm hmm…
O nosso impulso é de dizer: e tu lá tem querer menino? Pega a pesssoinha e faz o que tem que fazer, porque está com pressa. Chega na escola/creche dar um beijo e diz eu te amo. E realmente amamos, fazemos isso porque queremos o bem deles, não sabendo que estamos deformando eles. Escovar os dentes para mim sempre foi uma missão, o que era aquilo?? escândalo total. Eu por 1, 2, 3 vezes me vi prendendo Vick pelos braços, e quando ela chorava eu achava melhor ainda, porque abria a boca e eu escovava rapidinho. Na terceira vez pensei… Isso não pode está certo. A gente forçar uma pessoa a fazer o que ela não quer, é violência. Eu estou violentando minha filha. E foi aí que comecei a criar estratégia para fazer diferente tudo aquilo que é uma zanga para fazer. Agora quando ela diz que não vai vestir a roupa, eu digo: ah é? Então tá bom, e vou guardar a roupa dizendo a ela que os amigos vão achar estranho ela chegar pelada na escola. De forma bem pacífica. Antes que eu chegue no armário para guardar a roupa, ela diz: não mamãe, eu quero. Eu quero vestir! Vestimos, e vamos embora. Os dentes, eu mostro uns vídeos divertidos no YouTube, deixo ela escovar quando temos tempo… melhorou! Quando não estou num bom dia e a negociação ta difícil, eu saio de cena e o pai entra… E por aí seguimos.

Um ambiente preparado – preparar o ambiente para acolher uma criança, suas manifestações, e necessidades.
Aqui cometemos um grande equívoco. Preparamos para nós, não para eles. Confesso que até um ano e meio atrás, eu não tinha a menor ideia do que isso significava, e fiz aquele quartinho lindo que nós brasileiras estamos acostumadas.

Comprei um berço que depois se transformava em bicama e um criado. Cadeirinha de balanço, para amamentar e depois serviria para ela. E todo o resto adaptado às minhas necessidades. Com 6 meses ela começou a ficar em pé segurando nos móveis e notei que tudo aquilo oferecia riscos para ela. Era tudo arredondado, mas tinha quinas e o pequeno serzinho que mal podia com a cabeça, se caísse de testa ali, era corte na certa. Fios e tomadas de fácil acesso, gavetas e vários outros detalhes que jamais me passou pela cabeça ser perigoso para ela.

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aos 7 meses, olha onde ela foi parar.


Maria Montessori em seu livro A Criança diz: “A primeira forma de auxílio à vida psíquica da criança, é a reforma da cama e dos hábitos relativos ao sono induzido e não natural. Abolição do berço tradicional por um colchão bem baixo quase rente ao chão para que a criança poça se levantar e deitar-se a vontade”.
Quando viemos para Moçambique tinha que montar um novo quarto para ela, então fiz seguindo essa filosofia, e realmente funciona. Ela aos 11 meses, quando acordava pela manhã, se levantava, abria a porta e saía à procura de alguém, caladinha. Tinha tudo ao alcance dela e somente o necessário àquela fase. Mas a casa ainda estava longe de está adaptada para uma criança. Era um antigo apartamento de homem, cheio de riscos, ainda tinha que sair correndo para “protegê-la”. Ou seria proteger às coisas, daquelas pequenas mãozinhas?
Quando uma criança começa a balbuciar, e dizer qualquer coisa, não precisamos preparar ambiente nenhum para ela. Mas quando ela dar o tão esperado, primeiro passo… Querendo explorar o mundo, começam nossos conflitos. Não pega, não mexe, fica quietinho, alguns ganham uma palmadas nas mãos para não mexer em nada.
É com um ano de idade que começamos a fazer aquele ser humano inerte, que não sai do lugar, que se contenta com qualquer coisa, que está na vida à espera da morte, que passa a vida inteira na barra da nossa saia, que morre sem achar sua missão de vida. Deixe seu filho agir, explorar, conhecer, matar as curiosidades, aperfeiçoar seus movimentos, o auxilie nessa construção. Tire os obstáculos, coloque pequenos desafios. Veja o mundo pela perspectiva dos pequenos. Guarde suas estimadas lembrancinhas de viagem, seus bibelôs, sua decoração minimalista, proteja as tomadas, as varandas e janelas com redes de proteção. Ao invés de colocar cancela, ensine a subir e descer escadas. Se não pode mexer, tire do raio de visão, porque vai ser justamente lá que a pessoinha vai. Deixe sua casa em ordem, você sabia que crianças são fascinadas por organização? Pois é, deixe os objetos sempre no mesmo lugar, facilitando assim a compreensão deles.
A boa noticia é que eles ligeiro crescem… E não demora, podemos expor nossas coisinhas novamente.

Conhecimento sobre a criança – É se informar, procurar boas fontes, livros, cursos. Quanto mais a gente conhece, mais tranquilo se torna. Você não estudou para ser o que é? Então, para ser pai e mãe, educador, também precisamos estudar.  E para começar, eu super indico o documentário O começo da vida, Os livros: A encantadora de bebês, O cérebro da criança, Bem-vindo Ao Cérebro Do Seu FilhoFamily Coaching, algum conhecimento a respeito de PNL, Montessori…
Vou postando aqui um pedacinho de cada, para te instigar a conhecer.

Por hoje é tudo, Espero que este conteúdo seja útil.
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Obrigada pela companhia

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