Uncategorized

O poder de contar histórias

Gente gostaria de compartilhar um assunto muito interessante, que eu particularmente nunca tinha parado para pensar sobre isso, por esta ótica.
Quando alguém resolve por alguma razão, fazer terapia com um psicólogo, qual é a estratégia do profissional? É nos fazer contar histórias! E qual o resultado disso? Mente sã, corpo são. Em outras palavras, equilíbrio e bem-estar físico e mental. Pessoas saudáveis.
Com nossos pequenos, a coisa não é diferente. Enquanto eles são muito pequenos, é importante sempre narrar o que aconteceu, desde as coisas mais simples. Isso ajuda na organização mental deles, e integra os dois hemisférios do cérebro.

hemisfc3a9rios-esquerdo_e_direito-do-cc3a9rebro-humano

O que isso significa?
Por exemplo: o bebê tentando andar, ou a criança correndo, caiu. Mas não machucou, você viu que ele começou a chorar só porque você viu a queda. Ao invés de negar isso, invalidar os sentimentos dele. dizendo: já passou, não chore, não machucou, não foi nada. O ajude a nomear, ordenar os fatos e expressar em palavras.
Então qual seria a conduta correta? se for bebê, narre o que aconteceu. Você caiu, deixa a mãe vê, já vai melhorar, dar o beijinho. Beijo de mãe sara tudo rsrs
Se já for criança você pergunta: o que aconteceu? como você caiu? machucou? deixa eu vê, e dar o famoso beijinho. Se já estiver grande e o beijinho já não funcionar, pergunta se quer um gelinho…
O que aconteceu quando você contou ou fez com que ele contasse a história? Você o ajudou a integrar, a conectar os hemisférios, quando ele vai contar qualquer ocorrido, é preciso colocar as palavras, os fatos numa sequência lógica, isso é feito com o lado esquerdo do cérebro. No entanto as emoções ocorreram no direito. O medo, a frustração, as reações.
E ainda tem mais. Se o ocorrido foi realmente frustrante, como por exemplo: cair numa piscina, um cão latir ou morder, um acidente, uma queda de escada ou qualquer ocorrência desse tipo, que possa traumatizar uma criança ou mesmo um adulto. Ao invés de negar, e não se falar mais no assunto, como vejo acontecer. O correto é falar sobre isso, contar várias vezes a mesma história e enfatizar sempre no final feliz ou em algo positivo. Para que isso não seja um trauma, será só mais uma história entre tantas.
Uma vez uma babá ao sair de carro com uma criança, convulsionou enquanto dirigia e acabou se envolvendo num acidente. Quando a mãe chegou no local, o bombeiro estava segurando a criança de 2 anos que dizia repetidamente “ió ió fi fi, ió ió fi fi” ió era a ambulância e fi fi era a babá Sofia. Ele estava desesperado, mas por sorte estavam bem, ele não sofreu nada fisicamente e a Sofia também estava bem, mas ainda no hospital. A mãe tendo esse conhecimento, narrou ao filho tudo que aconteceu, que eles tinham sofrido um acidente, porque a Fi Fi passou mal perdeu o controle do carro, mas agora ela estava bem. Fez uma visita no hospital com o menino.
Ao chegar em casa pediu para que ele contasse ao pai. E contaram essa histórias várias vezes. Isso poderia se transformar num trauma, fobia de andar de carro se não fosse tratado dessa forma.
Quanto mais falamos de um assunto que nos incomoda, menos esse assunto nos incomoda.
Uma coisa muito interessante e saudável a se fazer com os maiores, é oferecer um diário, sim, o bom e velho amigo diário. Escrever o que se passa. Gente, é tão poderoso, que vocês não fazem ideia. Especialmente na pré-adolescência, ou adolescência.

Perguntar como foi na escola, no aniversário do amigo, na casa da tia… Isso faz muita diferença, mostra que você se importa. Seja o/a melhor amigo/a da sua criança, e aí vão algumas perguntinhas chaves, para que você não receba só um “foi bom” como resposta.

00 Perguntas a crianças

Voltando às histórias… Vou contar duas que aconteceram com a pequena Vick, como reagi, e o resultado disso. A primeira  foi a mordida dum cão, a cadela é muito amável, mas acho que Vick sentou nela ou puxou o rabo, não sei… Só sei que ouvi um grito, seguido por choro e o rosnado da cadela. Quando vi, a cadela tinha mordido o rostinho, um dente pegou no nariz e a unha ou outro dente passou bem perto do olho e arranhou. Foi um alvoroço, tinha muita gente em casa. Peguei ela, a abracei e quando parou de chorar, eu  contei a ela o que aconteceu, expliquei que o cachorro também é como um bebê, que ela só estava se protegendo, e só mordeu porque estava com medo… Isso num tom de voz tranquilo, sem passar medos para ela. E em pouco tempo lá estava ela brincando com a cadela de novo. Não ficou medo de cães, e conta isso achando graça.
Outra coisa que eu tive que trabalhar bem com ela, foi quando a coloquei na escolinha aqui em Maputo. Abriu uma escolinha a coisa mais linda, a estrutura física é o máximo. Fui lá conhecer, fiquei encantada, e como escola aqui é tão difícil, a coloquei lá.
A essa altura estava com 1 ano e 10 meses. A primeira semana foi ótima, ela super independente. Auto-confiante, e estava mesmo bem. Na segunda semana ela não queria ficar lá de jeito nenhum, ela agarrava nas minhas pernas e gritava, quando eu ia embora, escutava ela gritar, mamãaae não deixa a filha, volta. (essas palavras aos 22 meses), aquilo doía, mas eu achava que fazia parte da adaptação, afinal ela estava grudada  em mim, só eu cuidava. Na terceira semana, saindo do carro, na garagem de casa voltando da escola. Ela disse: mamãe, a tia bateu na mão da neném assim, e mostrou o movimento. Eu abaixei na altura dela, pedi para ela me contar o que aconteceu, e ela repetiu, a tia bateu assim. Isso era uma sexta-feira, no sábado quando fui colocá-la na cadeira de alimentação, ela gritou: não, não me aperta mamãe. Achei aquela reação estranha, afina eu nunca a tinha apertado. E perguntei quem apertou ela. Ela disse: A tia, a tia me aperta. Ficou óbvio maus tratos, Uma criança com menos de dois anos ainda não tem capacidade de criar essas coisas.
Ela nunca mais voltou nessa tal escolinha, e eu esperei o sangue voltar pro lugar para ir lá. (fica uma alerta para os pais, na hora de escolher uma creche ou escola. Sempre tenha referências de onde vai deixar seus pequenos).

Umas duas semanas depois me chamaram em outra escola, estava há quase um ano na lista de espera, e lá começamos uma difícil adaptação. Enfatizando sempre as coisas boas, comentando bastante sobre as atividades que ela gosta de participar. Do carinho das educadoras. Fazemos comentários do caso passado, para que não fique nada guardado no subconsciente, lembrando sempre que está em um lugar diferente, segura, entre amigos e pessoas boas, crianças livres e felizes.
Nessa idade eles sentem medo do abandono, se sentem frustrados. Por isso é sempre bom lembrá-los que a gente volta, daqui a pouco a mãe ou o pai volta, tá! Não fugir, engabelar a criança. Ela tem que saber que você saiu, tem que se despedir. Mas tem que ter a certeza que você vai voltar, que você sempre volta.

Por hoje é tudo, espero que esse conteúdo seja útil para você, e semana que vem tem mais.
Deixe seu joinha ou seu comentário, esse feedback é importante para mim.
Obrigada

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s