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Terrible two na prática (birras)

 

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Tem dia que é mesmo para testar a paciência, a resiliência dos pais. Vou compartilhar algumas coisas que podem dar certo nessa fase.
A primeira é tentar não perder a tal da paciência. Outra coisa tão importante quanto isso é não perder o respeito, nunca faça com a criança o que não faria com um adulto, muito menos o que não gostaria que fizessem com você. Tente mudar o foco, e se for negociar, por favor, cumpra sempre o que prometer.
Cumprir o que promete, faz com que seu filho confie em você, e seja mais flexível.
E não se jogue no chão dizendo eu quero, eu quero.
Por exemplo: você vai ao shopping e deixa criança lá no play, chegou a hora de ir embora e ela quer ficar, é claro. Ou está numa loja de brinquedos para comprar um presente, e a criança se interessou por alguma coisa, e você não pode dar naquele momento. Muitos pais para se livrarem da situação, dizem: vamos, amanhã a gente volta, amanhã a gente compra. A criança pequena no dia seguinte já esqueceu, mas se você prometeu, por mais que a criança não se lembre, cumpra. E diga a ela, a mãe disse que ia te trazer hoje, aqui estamos. A mãe disse que ia comprar, aqui está. Da próxima vez que você disser a ela que depois fará alguma coisa, provavelmente ela vai confiar em você.

“Normalmente, os pais são especialistas em relação ao corpo dos filhos. Sabem que acima de 37,5°C significa febre. Sabem como limpar um corte para não infeccionar. Sabem quais tipos de alimento podem deixar os filhos mais agitados antes de dormir.
Mas mesmo os pais mais cuidadosos e esclarecidos costumam não ter informações básicas sobre o cérebro de seus filhos. Especialmente quando levamos em consideração o papel central que o cérebro desempenha em virtualmente todos os aspectos da vida de uma criança: disciplina, tomada de decisão, autoconhecimento, relacionamentos, e assim por diante. Na verdade, o cérebro determina quem somos e o que fazemos. Como é significativamente moldado pelas experiências que oferecemos como pais, saber a forma como o cérebro muda em resposta à nossa forma de criar os filhos pode nos ajudar a torná-los mais fortes e resilientes”.
Mind Your Brain, 2011.

A fase chamada Terríveis dois anos, existe mesmo. Eu não chamaria esse tipo de comportamento de birras, mas é dessa forma que a maioria se refere a esse período, então vamos tratar assim.
Existem basicamente 2 tipos. A birra consciente, que é aquela que a criança sabe como conseguir alguma coisa e usa isso, ela sabe que se chorar, se jogar no chão e deixar os pais envergonhados, logo vai ter o que quer. (a dica é, não negociar com terrorista. E se prometer, cumpra).
E a outra provem do cansaço, da fome, sono, mudança de ambiente, mudança da rotina. Essa, cabe aos pais compreender, identificar os sinais e não deixar chegar ao ápice. Evitar. Vale a pena mudar nossa rotina, nossos passeios, nossos horários, nossos destinos. Eles crescem tão rápido, já já voltamos à vida de antes.
A  primeira mencionada, a Vick nunca fez. Bem, a segunda, todos os dias… Tento evitar ao máximo, mas é difícil controlar o cansaço pós escola, ela é um urso, se deixar, acorda às 9:30 da manhã e não dar para chegar na escola as 10h todos os dias. Então a primeira confusão é por acordar cedo. E depois para comer quando chega da escola, está com fome, mas cheia de manha por está exausta. A gente vai tentando contornar. No final de semana sabe que vai passear, fica ansiosa e às vezes não quer dormir. Por volta das 15h, não aguenta o cansaço e dorme. Mas acorda irritada, porque dormiu fora de hora…
Nas ultimas férias no Brasil também, sentiu muito as mudanças. Uns 15 dias por lá, ela perguntou: mamãe, cadê a nossa casa?
Ela é extremamente carinhosa, muito meiga. Chegou o ponto de ficar agressiva, querer bater nas pessoas, morder.
É uma Magalizinha, mas às vezes não queria comer. Tudo por conta das mudanças, então cabe a nós, compreender, se colocar no lugar deles. Tirar de cena. Afinal, nessa idade, eles ainda não conseguem organizar os sentimentos.

Temos bibliotecas inteiras falando sobre doenças mentais, mas a saúde mental é raramente definida. E esse, é meu foco neste canal. Educar pessoas mentalmente saudáveis, estáveis.

Em termo de desenvolvimento, crianças muito pequenas têm o hemisfério direito predominante, especialmente durante os 3 primeiros anos de vida. Elas ainda não dominam a capacidade de usar a lógica e palavras para expressar sentimentos e vivem sua vida completamente no momento – motivo pelo qual deixarão tudo de lado para agachar e observar uma joaninha. Sem se importar com o relógio.
Lógica, responsabilidade e horário ainda não existe para elas.

Quando uma criança está incomodada, a lógica frequentemente não funciona até que tenhamos atendido às necessidades emocionais do hemisfério direito do cérebro. Essa  conexão emocional chama-se “sintonia”, ocorre quando nos conectamos profundamente com outra pessoa e permitimos que ela se “sinta sentida”.
Na maioria dos casos, quando a criança está irritada, agressiva, “birrenta”, talvez precise simplesmente comer ou dormir um pouco.
Sabe aquele momento que o serzinho está esperneando, gritando? não adianta falar, ou fazer nada nesse momento. Espere até que ele esteja num estado de espírito mais tranquilo para conversar logicamente sobre sentimentos e comportamentos.
Não estou falando quer você tem que ser permissivo, que a criança tem que ultrapassar os limites só porque não está pensando de maneira lógica. Comportamentos inadequados, ser desrespeitoso, machucar alguém, arremessar objetos, por exemplo, deve permanecer fora de cogitação. O ideal é não deixar chegar a esse ponto, conheça sua criança, entenda os sinais que ela te dar, antes de chegar no ápice do stress.
Depois que a criança se acalmar, converse sobre o assunto.
Outra coisa que a sociedade deveria abandonar é o famoso “cantinho do pensamento”, castigos.
Pense comigo, você acha mesmo que uma criança, seja qual for a idade, vai ficar reclusa e pensar sobre o porque está ali?
Existem os da raiva que provavelmente ficam putos por está ali, e podem até não repetir mais a ação, por não querer está ali de novo. Mas isso é adestramento, e não educação.
E existe os da tristeza, que quando estiverem lá no cantinho, vão pensar: poxa, eu faço tudo errado, de novo deixei meus pais chateados, eu sou um fracasso, faço tudo errado.

O “cantinho do pensamento”, desde quando pensar é um castigo? Por favor minha gente, vamos estimular nossas crianças a pensarem, de forma positiva, com alegria, felizes por estarem pensando. Está cheio de adultos que não pensam por aí, quantos você conhece? quantos trabalham com você?

Em vez de se concentrar apenas no comportamento do seu filho, procure descobrir o que está por trás das ações: Porque meu filho está se comportando dessa forma?
O que ele quer me dizer e não estou compreendendo?

Vamos pensar antes de agir: Aquilo que dizemos é importante, mas igualmente importante, ou ainda mais importante, é a forma que dizemos.
Transmitir conforto: Ponha-se no nível dos olhos do seu filho; seja caloroso; acene com a cabeça, com empatia, muitas vezes só isso já resolve a situação.
Deixe claro que ele é amado: Depois do desgaste, quando tudo estiver calmo, diga que o ama, abrace-o.
Aceite: Mesmo quando não gostar do comportamento do seu filho, reconheça e aceite seus sentimentos.
Pare de falar e ouça: Quando as emoções do seu filho estiverem num ponto explosivo, não explique, nem dê sermões, nem tente persuadi-lo a abrir mão dos sentimentos. Ouça, simplesmente ouça, procurando decifrar as emoções que seu filho está lhe comunicando.
Reproduza o que ouviu: Depois de ouvir, repita o que ele disse, para dar a entender que você o escutou.
Procure evitar situações que geram crises: Observe que tipo de situação gera explosões de birra no seu filho, procure evitar.
Fique atenta aos excessos: Se a criança ficar exageradamente estressada ao ponto de se machucar ou aos outros, pode ser o caso de pedir ajuda profissional. Um psicólogo pode ajudar.

Este é o primeiro texto dessa série, o assunto é longo, e vale muito conhecer mais…
Vamos educar, não adestrar.

Obrigada pela companhia,
Se gostou, curta, comente, compartilhe.

 

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