#4 Livros que todos os pais devem comprar — Psicopedagoga

Há uns tempos, li na capa de uma revista para pais, o seguinte título “Como acabar com os conflitos”. Fiquei então a pensar, o quanto deve ser desesperante para os pais, lerem estes títulos e considerarem a hipótese de que é possível viver sem conflito. Simplesmente não é! O conflito não só é necessário, como […]

via #4 Livros que todos os pais devem comprar — Psicopedagoga

Os segredos do sono

São muitas as famílias que têm dificuldades com relação ao sono do bebê especialmente no primeiro ano de vida, e das crianças em geral. Sabemos que é uma necessidade biológica, mas vai muito além disso. Afeta também o crescimento, o desenvolvimento psicomotor, aprendizagem, está relacionado também com obesidade e alguns transtornos de comportamento que só serão observados na idade escolar como alguns são diagnosticados com déficit de atenção, quando na verdade, falta qualidade de sono.

Vejamos as característica e tempo de sono por faixa etária.

tabela-sono-bebe

2

Você sabia que existe um horário certo para a criança ir para a cama? Eu descobri isso há pouco, essa tabela serve também para crianças menos, sendo que estas necessitam também de uma sonequinha diária para repor as energias, aliviar a pressão do sono e melhorar a qualidade do sono noturno

hora de dormir.jpg

Porque horário estipulado para dormir? Entre 18:30 e 20:00 hrs é quando a criança tem maior pico de melatonina, hormônio do sono. Indo para a cama esse horário, ela adormecerá mais facilmente, provavelmente dormirá a noite inteira, acordará mais bem-disposta, de bom humor e revigorada. E quando passa mais de 15min desse horário. Ou seja, a parti das 20:15 a criança recebe um pico de cortisol, hormônio da vigília, do estresse. Esse hormônio antagoniza os efeitos da melatonina. Então quanto mais tempo a criança passa acordada, mais cortisol, mais irritação, mais dificuldade para pegar no sono, mais cansaço físico e mental, o que dificulta também um sono tranquilo por toda a noite, e mais cedo acordará na manhã seguinte, cansada, estressada, impaciente. Isso explica porque as crianças muito cansadas lutam contra o sono, se batem, arrancam cabelos, inventam de tudo para permanecer acordadas. É o que chamam de efeito vulcânico.

infografico-com-a-progressao-do-efeito-vulcanico-no-organismo-dra-andreia-c-k-mortensen-000000000001635C

O que significa isso? Imagine a atividade de um vulcão, vai acumulando, acumulando e em um momento explode. É o mesmo que acontece com a criança, e também com os adultos, não sei vocês, mas eu com sono… sou mesmo um vulcão.  As privações de sono e não qualidade no sono noturno deixam a criança irritada, birrentas, agressivas e qualquer pequena coisa que acontece, o nível de estresse está lá nas alturas e ela explode, se joga no chão e chora, faz confusão, atira coisas, bate no irmão, grita, e por aí vai.
Devemos garantir uma boa noite de sono aos nossos pequenos. Como? Ter um ritual para dormir, nos horários apropriados, evitar mudanças na rotina, evitar visitantes à noite, muita agitação próximo a hora de dormir eleva o nível de adrenalina, desenhos animados violentos ou assustadores também não ajudam já que sonhamos com resquícios do dia,  garantir um lugar silencioso e escuro, isso promove a qualidade do sono, a criança dormir no quarto dela, dormir com um bichinho, seja um urso, uma naninha. A sonequinha diurna até uns 3 anos, se for maior e você observar que a criança precisa, também é válido. Mesmo que a criança durma bem a noite, ela precisa desse descanso diurno o que pode até compensar uma noite mal dormida, mas uma noite bem dormida não substitui esse descanso diurno.
E quando o bebê deve começar a dormir sozinho em seu berço, em seu quarto? Desde que chega da maternidade! Ah mas o bebê acorda várias vezes quando recém-nascido, eu tenho medo de morte súbita… Meu conselho, por experiencia própria e observação, é que quanto mais cedo você cria uma rotina para o seu bebê, menos trabalho você terá depois, então aguenta aí o cansaço dos primeiros 3 meses e garanta sua tranquilidade depois, e segure os seus medos, você precisa superá-los, e não passar eles para sua criança, esse será só o primeiro de muitos medos que nós mães temos, mãe bem informada é mãe segura de suas ações. Portanto, tem dúvidas? Nunca tivemos tanta informação disponível na palma de nossas mãos, aproveite essa ferramenta.
dicas

Devemos ensinar nossa criança a dormir bem, seguem algumas dicas:
o que fazer para adormecer a crianca

estudos revelam que somente 65% das crianças dormem na sua cama e 17% no seu próprio quarto. Quanto ao adormecimento, apenas 30% dispensava companhia e adormece sozinha. A sonequinha da tarde é uma prática diária da maioria. Só 14% dos pais referiu ter recebido algum esclarecimento sobre hábitos de sono dos profissionais de saúde.
O que estes resultados nos revelam é que, como sempre nos falta esclarecimento, conhecimento. Resolvi escrever este artigo sobre bons hábitos de sono e o impacto disso na vida de nossas crianças para compartilhar com vocês uma experiencia recente. Como sabem, gosto de escrever não só teorias, mas aquilo que vivencio e comprovo na prática.

Sobre sono não tinha o que dizer porque sempre tive uma ursinha em casa, a Vic dormia cerca de 6hrs por dia quando bebê e a noite inteira. Foi assim o primeiro ano de vida, dormindo sozinha no quarto dela, sem ajuda para adormecer, tudo lindo, no meu quarto ficava somente o monitor da babá eletrônica. Com 11 meses mudamos de país, 5 horas de fuso horário, começou a bagunçar o que estava arrumadinho… com 1 ano ela viu um cão a ladrar e ficou impressionada com aquilo, começou a sonhar com o cão todas as noites, ela levantava da cama a procura de alguém pela casa, dizendo o au au, o au au. Foi aí que passou a dormir no quarto do casal, num bercinhos desses camping ao lado da nossa cama. com 2 anos e meio arrumei o quarto dela novamente e a coloquei para dormir em seu cantinho. Mas estava acordando de 2 a 3 vezes por noite, catava o travesseiro, ursinho e garrafa d’agua e chegava na beira da minha cama dizendo que estava com medo. O que também é normal, já está na fase dos medos… Claro que eu acordava destruída por não dormir bem, ela também, começou a ficar irritada durante o dia, malcriada, melancólica, birrenta, e eu assustada porque ela nunca se comportou assim. Alguns justificavam dizendo que o comportamento era da idade, neste momento estou grávida, então disseram que ela já está sentindo, então mudou o comportamento por isto…
Pais, observar nossas crianças é fundamental, tem tantas crianças por ai sendo medicada, diagnosticas com déficit de atenção, hiperatividade e outros problemas, quando na verdade só falta investigar a raiz do problema, por falta de rotina bem estabelecida. Se eu chego para um psiquiatra e relato que minha filha está irritadíssima, quebrando as coisas, batendo nos outros, com mudança repentina de comportamento, acordando muitas vezes à noite, sem concentração. Se ele não for um profissional atencioso, e sabemos que tem muitos… ele não vai investigar, e atendendo as reclamações da mãe, vai diagnosticar erroneamente essa criança e passar medicamentos desnecessários que vão atrapalhar no bom desenvolvimento dessa criança. É preciso que paremos para observar nossa criança, estabelecer uma rotina de hábitos e horários, respeitar as necessidades da criança, é primordial para que ela cresça forte, segura, e saudável.

Tento fazer isso com minha filha sempre que surge um novo desafio, então parei para tentar entender a origem desses comportamentos, e vocês não vão acreditar, foi só eu regularizar o sono da criança que todos esses sintomas desapareceram. Os hábitos de sono dela eram assim: tomava banho umas 19hrs, jantava, brincava um pouquinho comigo ou o pai, escovava os dentes e lá para as 21hrs eu ou o pai a levava para a cama dela, deitávamos com ela, contávamos uma história e ali fazendo um carinho ela adormecia. Às  vezes saíamos à noite para jantar, e ela sempre ia conosco, ou íamos na casa de amigos que também tem criança, nessa acabava dormindo por volta das 22, 23hras.
Agora você me pergunta onde está o erro? está tudo lindo, quem dera toda criança tivesse essa oportunidade, eu também pensava assim. O erro é o seguinte: o pico de melatonina  que mencionei no começo do artigo, acontece por volta de 18:30 até umas 20hrs e depois disso a criança fica com sono, mais como passou daquele ponto, ela começa a ficar cada vez mais agitada e irritada, o que dificulta o sono tranquilo durante toda a noite, então o horário de dormir estava errado. Outro detalhe que a maioria das mães adoram, fazer a criança adormecer mamando, quando um bebê adormece no colo da mãe e acorda no berço, chora porque esta perdido, dormiu num lugar gostosinho, seguro, e acordou nem sabe onde e sozinho, então chora. O mesmo acontecia com a Vic, ela dormia comigo ou com o pai, ali fazendo um cafuné e de repente acordava sozinha, catava as coisinhas dela e ia em busca de alguém.
Tem uma semana que mudei essa rotina, o primeiro dia teve resistência, mas deu certo, o sendo já foi menos, o terceiro por incrível que pareça foi o mais árduo, do quarto dia em diante zero problema.
Nossa rotina agora é: dou banho 18hrs, jantar 18:30, as 19hrs escova os dentes, eu apago a casa toda, sem som, sem luzes, a levo para o quarto dela, lhe conto uma história, dou um beijo e deixo só um abajur com uma luz fraquinha que se apaga em 30min expliquei nos 3 primeiros dias que ela ia dormir sozinha porque era uma mocinha crescida e que cada um tem sua cama, seu quarto, que eu estava ali perto ouvindo qualquer barulho e pronta para a protege-la se preciso fosse. Na primeira noite ela levantou e pegou todos os bichinhos de pelúcia, colocou na cama, cantou, cantou e as 20hrs já estava adormecida (sozinha). E hoje 6 dias depois, a coloquei na cama depois de todo esse processo, sempre no mesmo horário, seguindo a mesma rotina, e ela adormeceu em menos de 10min. E o melhor, nenhuma dessas noites acordou na madrugada, tem acordado super bem-disposta, sem conflitos e birras na escolinha, voltou a ser minha menininha de sempre. Mas 6:30 no máximo 7hras da manhã ela chega no meu quarto dizendo: mamãe o sol já acordou, está na hora de levantar.

Eu fiquei super feliz em resolver meu problema aqui em casa, e compartilho com você estas dicas e meu relato para que, se de repente estejam passando por situação parecida, esse material possa ajudar.

Beijinhos e boa noite.

IMG_4551

Comportamento inadequado é sintoma, qual é a causa?

separação-dos-pais-e-depressão-e1452797177119

Hoje quero compartilhar com vocês um comportamento da Victoria, e o que havia por trás dessa conduta. Da importância de observar e ouvir nossos filhos. Tentar compreender a angustia deles, no caso da Victoria como ainda é bem pequena, ajudar a colocar em palavras para que isso não se transforme num trauma futuro.

De uns dois meses para cá, sempre que ela ficava brava, desapontada, ou contrariada, dizia: vai embora!! num tom colérico.
Percebendo essa frequência, uma das vezes, depois de ela ter se acalmado eu perguntei porque ela mandava ir embora, onde ela tinha visto alguém mandando embora. E para minha surpresa, ela muito chateada, com um choro engasgado, me disse: tu mandaste a “Joaquina” ir embora. (Joaquina é um nome fictício).
Essa pessoa era minha funcionária, desde que Victoria tinha 10 meses, e certo dia eu encontrei em minha lixeira um volume estranho, abri, e lá tinha algumas coisas que não vem ao caso. Mas o fato é que ela estava me roubando. Eu andei em direção a funcionária, com a sacola nas mãos e pedi explicações, a minha decepção transbordava pelos olhos, a mulher ficou nervosa, a criança assistindo a cena lamentável.
Esse é um caso isolado, que pode aqui ser substituído por uma briga entre os pais que gerou separação, a perda dum ente querido, desligamento entre pessoas próximas…
Nesse momento o pai chegou, e a Vick correu para a porta, dizendo: papai, papai a minha mãe tá chorando, a Joaquina estava levando isso e isso. Eu passei a ocorrência para ele, e me retirei com a criança, fui dar banho e cuidar dela. Ele acertou as contas com a senhora, na hora de ir embora, a senhora se despediu da criança, e para nós, acabou aí.
Mas até hoje, três meses depois, sempre que Victoria chega em casa, aperta a campainha esperando que a senhora abra a porta. E no início, todos os dias, perguntava por ela, se ela não ia chegar.
Então quando ela me disse que o “vai embora” significava isso, eu notei o estimulo traumático e comecei a trabalhar essa angustia, tentando explicar didaticamente para uma criança de 2 anos e meio o que é a confiança e quando essa se quebra a pessoa precisa ir. Bem, ela acha que a confiança é um objeto. Mas entendeu o contexto. A parti de então, todos os dias eu peço para que ela me conte o que aconteceu, porque a senhora teve que partir. No começo ela falava chorosa e com raiva, e hoje ela diz com muita serenidade que a senhora teve que ir.
Trazer acontecimentos à luz, com clareza, com riqueza de detalhes, traduzir o afeto em palavras, é uma forma de fluir, de transcender.

O que aconteceu aí? No campo psíquico, assim como na física, no princípio da ação e reação. Onde diz que “a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade no sentido contrário”. Ou seja, quando eu tô com raiva e dou um murro na parede, eu vou receber de volta, com a mesma intensidade o murro que eu dei.
No campo psíquico a toda ação, a toda causa corresponde um efeito. Não quero dizer que essa ocorrência sozinha teria a capacidade de traumatizar uma criança. Porém, o acumulo dessas excitações, vai criando trilhas em nosso cérebro, excluindo a saúde psíquica. Daí nasce obsessões, fobias, indiferença, depressão… Quando nos encontramos num estado psíquico mais delicado, por exemplo a perda de um ente querido depois de adulto, tudo vem à tona, e a gente desmorona. Não foi a perda de alguém, não foi a última gota que fez o copo transbordar. foi a somatória desses eventos, que já nem lembramos mais, já foi arquivado lá no inconsciente e a gente fica doente sem nem saber porque.
É aí que mora a diferença entre cuidar de uma criança e assumir a responsabilidade sobre ela nos dias de hoje.
A agressividade infantil, criança muito quieta, ou extremamente inquieta, são sintomas, é preciso identificar a causa, não maquiar os sintomas.

A segunda maior causa de morte no mundo é o suicídio, isso é assustador, porque não temos mais tempo de observar que nossa criança está se cortando, se queimando, pedindo socorro. Querendo que alguém tome conta dela. Por isso quer ir para o estado islâmico, porque lá tem um cara que vai tomar conta da vida dela, que diz: olha, agora você vai fazer isso, agora você vai colocar essa bomba na cintura. Por isso estão indo para o tráfico, porque lá também tem um cara durão que vai dizer: anda na linha se não eu te mato. Por isso vai para a prostituição, não é para ganhar dinheiro, começa para ter a cafetina tomando conta da vida dela, dizendo o que ela tem que fazer, e quando.
Essa criança pode ter 2, 3, 15, 35 anos. Continua pedindo socorro, quando não acha amparo, tira a própria vida.
Esse tomar conta, começa de muito cedo, quando eu digo: filha está na hora de fazer tal coisa, tomar banho, escovar os dentes, comer, ir para a escola etc.
Ela esperneia, não quer ir, e vai assim mesmo. (Não querer ir, quer dizer que ela é uma criança psicologicamente normal, não é oprimida). Inconscientemente ela sabe que tem alguém tomando conta dela, zelando por ela. Deixar um ser humaninho fazer o que quer, comer o que quer, na hora que tem vontade, você está dizendo para ele, indiretamente, que ele tem autonomia. Segundo Kant, autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é incompatível com elas.
Será que essa criança já tem esse senso? Acho que não. Então ela precisa saber que existe uma hierarquia, que ela está sob minhas ordens, eu estou sob as ordens de alguém acima de mim e que temos que respeitar.
Se a criança levanta caladinha e vai, também tem coisa errada. Ela precisa ter a liberdade de se expressar, afinal não estamos adestrando, estamos educando.

Quem conhece a Victoria, sabe que ela é uma criança livre, para se expressar, para criar, para falar, muito amorosa, respeitosa. Eu crio condições para ela ser livre, mas na hora que é necessário ir, ou fazer alguma tarefa, comer, dormir, seja lá o que for, ela argumenta, negocia, se possível a gente se entende, se não, ela vai fazer o que eu quero, porque na idade que ela está, quem sabe o que é bom para ela, sou eu.

Conclusão, vamos perder tempo agora, na educação. Para não perdermos o sossego depois. De nada adianta construir um lindo castelo na praia, sem alicerce, ele vai cair.
A base é o mais importante.
Quando nosso ninho estiver vazio, teremos muito tempo para novelas, séries, redes sociais e vida social ativa.

Por hoje é tudo, espero que reflitam sobre isso.

Educando futuros cidadãos

Parte 2
Fase fálica

Conversamos sobre as duas primeiras fases, oral e anal, e agora vamos a terceira. De todos os artigos que li a respeito dessa fase, o Professor Roberto Andersen, no meu ponto de vista, foi quem melhor explicou.

Vamos à fase fálica. Essa fase é entendida, de forma incorreta, como a fase onde as variações nas orientações sexuais são definidas.

Vamos logo entender que não é isso! Aquilo que hoje chamamos de definição sexual, orientação sexual e opção sexual, não tem relação direta com essa fase.

A definição, que é a estrutura do menino ou da menina, obviamente já foi definida entre o primeiro e trigésimo dia após a fecundação. Veremos no vídeo “Sexualidade na Formação da Personalidade”, que virá a seguir.

A orientação sexual, que é o que define a atração sexual que a pessoa terá ao alcançar a adolescência, também já tem suas bases principais definidas durante a gestação, entre 30 e 60 dias após a fecundação.

Tudo isso veremos no próximo vídeo, conforme eu disse.

E a opção sexual será trabalhada a partir da fase da adolescência, conforme veremos também.

Nessa fase, a fálica, haverá influências, conforme relatou Freud, mas não será a origem daquilo que chamamos de orientação sexual.

Na fase fálica, a criança começa a ter um melhor entendimento do que seja o outro.

Ela vai agora iniciar a criação da sua própria personalidade, começa o desenvolvimento de características de sua personalidade, começa a sentir a necessidade de ter iniciativas e surge o sentimento de culpa.

A criança entra em seu mundo virtual, aprende a imaginar e a brincar no mundo imaginário e aparecem as fantasias. Isso é necessário para o desenvolvimento do senso de cooperação. Como as crianças isoladas de outras crianças conseguiriam passar por isso? Mas é aí que entra, mais uma vez, a estratégia de nossa mente! Se não tivermos amigos, devemos criar amigos imaginários…

Ela aprende, assim, a dar e receber ordens e a fazer um equilíbrio entre os momentos de diversão e os de responsabilidade. Nessa mesma época, ela começa a perceber que existe diferença entre o papel do homem e o da mulher na sociedade.

Segundo Freud, essa observação causará os conflitos de identificação de gênero, que ele chamou de conflitos edipianos (Complexo de Édipo), baseado na tragédia “Édipo Rei”, escrita por Sófocles, quatro séculos antes de Cristo. Nessa peça, um clássico da mitologia grega, Édipo matou seu pai, Laio, sem saber que era seu pai e, em seguida, casou-se com sua própria mãe, Jocasta, sem saber que ela era sua mãe. Ao descobrir que ela era sua mãe, Édipo fura seus próprios olhos e Jocasta se suicida.

Freud baseia seu entendimento da criança nessa fase para mostrar a tentativa de entendimento de seu próprio gênero, tomando atitudes de aproximação afetiva da mãe como sua preferida e desprezando o pai, que considera seu concorrente nesse amor.

Sófocles, em sua peça, remete a uma reflexão sobre a questão da culpa em relação a comportamentos fora das normas éticas e dos tabus estabelecidos pelos grupos sociais em suas culturas.

Freud pretende mostrar que existe uma necessidade de satisfação da curiosidade sexual e intelectual, pela criança, principalmente por causa de sua “fixação” na libido como elemento impulsionador da psique humana.

Nessa faixa etária, segundo Freud, a libido está diretamente ligada à sexualidade e é assim que ele entende a busca da mãe pela criança. Essa sexualidade vai aflorar durante a busca do amor da mãe. Se essa necessidade não for satisfeita e se a criança entender que está sendo reprimida ou castigada, ela poderá desenvolver um forte sentimento de culpa que vai diminuir seu estímulo para tomar iniciativas e poderá reduzir sua vontade de explorar novas situações ou de buscar novos conhecimentos.

No que diz respeito ao entendimento psicopedagógico da criança, é nessa fase que ela consegue adquirir confiança no contato inicial com a mãe. Também nessa fase é desenvolvida a sua autonomia, já que surge a expansão motora e o autocontrole. Se essa relação da criança com sua mãe ocorrer sem transtornos, ela vai, a partir daí, estar apta a desenvolver a iniciativa, por causa do aumento de sua intelectualidade.

Essa ideia sexualizada de Freud, embora pareça meio exagerada, ajuda bastante no entendimento do desenvolvimento infantil. As crianças já sentem confiança e autonomia. Mas pela sua compreensão de mundo percebem que a razão de sua existência, sua mãe, também dedica um pouco de seu tempo a alguém, seu pai. Isso começa a ser visto como um perigo nessa relação. É uma concorrência!

A criança, então, precisa provar a si mesma que não existe o perigo de uma perda, ou seja, o amor de sua mãe é seu e assim continuará. Ela, então, em uma determinada noite, acorda e resolve tomar a iniciativa de apossar-se do que é seu. Assim sendo, vai para a cama da mãe com a intenção de abraçá-la, marcando sua presença e, se houver alguém por lá, mesmo que seja seu pai, a intenção é empurrá-lo para fora da cama.

Segundo Freud, a criança deseja transar com a mãe e matar o pai. E durante essa tentativa, ela passa por diversos estágios de satisfação e culpa que vão construir toda uma personalidade neurótica, quando mal satisfeita, ou de saúde psíquica, quando tudo dá certo.

É comum nessa idade a criança que, passados alguns minutos, a criança deve ser levada de volta para sua própria cama em seu próprio quarto. A não observância desse detalhe pode provocar o aparecimento, mais tarde, de neuroses típicas de insegurança.

Alguns casos especiais devem ser considerados, como por exemplo, as mães solteiras criando seus filhos.

O medo de perder a mãe continua valendo! Ou seja: a necessidade de ter certeza de que a mãe é sua ainda ocorrerá.

A criança pode ter a mesma necessidade e tomar a mesma atitude, de ir para a cama da mãe e querer ficar abraçada com ela.

Apenas ela não terá que disputar com um concorrente, já que não há pai presente.

A falta do amor do pai, seja pai “existente, mas ausente”, ou pai falecido, separado ou desconhecido, colabora para a formação de uma carência afetiva masculina prejudicial ao seu desenvolvimento.

As crianças precisam, para sua formação plena e emocionalmente equilibrada, de participação afetiva masculina e feminina.

A falta afetiva de um deles pode fazer surgir algum tipo de neurose futura.

O que se deve tomar muito cuidado, em ambos os casos, principalmente no da mãe solteira, é não deixar os filhos dormirem em sua cama.

Essa prática, que é comum em mães sozinhas, contribui fortemente para que essa criança, no futuro, desenvolva um senso de insegurança muito forte.

Outro caso especial importante é o casal homo afetivo adotando crianças e que precisam saber como funciona essa fase nessa situação.

Nessa relação homo afetiva, sejam dois homens ou duas mulheres, o que vai importar mesmo é a qualidade do afeto passado por cada um.

A qualidade masculina de afeto preenche algumas necessidades emocionais e psíquicas da criança, enquanto que a feminina preenche outras.

Então, para a formação psíquica e emocional equilibrada, não depende exatamente dos pais serem um casal heterossexual (isso para desespero dos que lutam contra casais homo afetivos…), mas sim de que seja garantido à criança a afetividade característica feminina e a afetividade característica masculina, completando o par formador de sua personalidade afeto-psíquica equilibrada.

Em muitas famílias com pais tradicionais existe a falta do afeto característico masculino, mesmo havendo pai e sendo pai heterossexual.

E o resultado, na formação da personalidade dessa criança é que, na adolescência, se for uma menina, ela terá grandes chances de confundir suas paixões com falta de afeto paternal.

A consequência mais comum é apaixonar-se por alguém que, inconscientemente, significa o pai que estava ausente.

O erro nesse relacionamento só trará consequências mais tarde, quando a mente dela rejeitará o relacionamento, criando um complexo de culpa que, sem esse entendimento, parecerá injustificado.

Então, os problemas emocionais e psíquicos futuros nada têm a ver com pais heterossexuais ou casais homo afetivos, mas sim com a falta de afeto com características masculinas e femininas.

Autor: Prof. Roberto Andersen

Educando futuros cidadãos

Como suportar os nossos filhos, para desenvolver sujeitos que se importam com a ética numa sociedade que só exige estética? Parte 1

Hoje vou falar de 2 das 5 fases do indivíduo segundo Freud, e o que cada uma delas exige de nós como cuidadores, segundo o ponto de vista do pediatra e psicanalista Donald Winnicott, e também trechos de uma palestra do psicanalista Ivan Capelatto, e meu olhar como mãe.

Seja você a mãe, a tia, babá, avós. Preferencialmente que sejam a mãe, mas na ausência desta, alguém precisa assumir essa responsabilidade. Lembrando que responsabilidade significa assumir as consequências do nosso próprio comportamento.
Hoje muito se discute o lugar da mulher, eu concordo plenamente que é onde ela quiser. Temos mulheres em todas as áreas, desempenhando de forma brilhante, funções que eram exclusivas para homens. Mas pouco se fala qual é o lugar da mãe.
Não sou psicanalista, nem se quer sou da área de humanas… Mas sou pesquisadora, me considero uma mãe suficientemente boa, e todos os posts desse blog têm embasamento científico e responsabilidade social.

Fase Oral: que vai do nascimento aos 18 meses. Para ser bem sucinta, é a fase em que exploramos o mundo através da boca. Que o bebê grita para ter alguém por perto, chora quando está com fome, chora quando tem dor, tudo que encontra coloca na boca, come mãos, pés, papel, e tudo que encontrar pela frente.
E o que é importante nessa fase? Bem, para um desenvolvimento psíquico saudável, é essencial que esse bebê nos primeiros 12 meses de vida, viva na mesmice. No mesmo lugar, com as mesmas coisas, com a mesma pessoa, preferencialmente que essa pessoa seja a mãe. Na impossibilidade desta, que seja a avó, ou alguém próximo. Que não seja um mês uma babá, outra no mês que vem, e daí por diante.

Por que ser cuidado sempre pelo mesmo adulto nesta fase? A morte da mãe, a troca frequente de babá, ficar hoje aqui, amanhã ali. A frequente troca do cuidador vai trazer prejuízos a essa criança. Que é a indiferença, uma pessoa que não consegue estabelecer vínculos fortes, tendência à depressão, neurose de angústia, pais que se ligam pouco aos filhos, aos amigos, aos parceiros, pessoas solitárias. Dificuldade de suportar o prazer.

Outro fator importante até os 12 meses é o desenvolvimento do Self, ou talvez seja melhor dizer, que o desenvolvimento em direção e conformidade com o self, propicia ao indivíduo:
Aumento da consciência;
Aumento da percepção de tudo;
Melhor compreensão da vida;
Pessoas seguras de si;
Responsáveis;
Com sentimento de pertinência.
Tudo isso possibilita se dar rumo à vida e conduzir o indivíduo à autorrealização.

Entendendo isso é que países como Alemanha, França, Canadá oferecem licença maternidade de mais de 12 meses. Para que mais tarde o Estado possa economizar com segurança, educação, judiciário, penitenciárias, e uma série de departamentos.

Fase anal: Dos 18 ou 19 meses aos 3 a 4 anos de idade, também vou explanar de forma bem superficial, para compreensão de todos. Mas te convido a buscar mais sobre esse tema.

Acompanhando a maturidade fisiológica para controlar os esfíncteres, a atenção da criança dirige-se da zona oral, para a zona anal. Ou seja, a criança começa a se importar com o xixi, o cocô. Algumas começam a se esconder para fazer suas necessidades.
Para o desespero das mães e julgamento dos ignorantes. Entra em funcionamento um mecanismo chamado sistema límbico, que nessa fase funciona no mais alto grau e volta na com tudo na adolescência. O sistema límbico é o responsável basicamente por controlar as emoções e as funções de aprendizado e da memória.
É um mecanismo de proteção que envolve fibras, hormônios, memória. É um ato de defesa que entra em funcionamento quando estamos frustrados, quando recebemos um não, quando nos tiram o prazer. Na prática funciona assim:

Você é uma mãe suficientemente boa, dedicada a essa criaturinha à quase dois anos ou mais, e diz com todo amor e carinho: filha, vamos tomar banho? E ela cheia de raiva diz: Não!

O que aconteceu? Essa criança que até então estava prazerosamente brincando, vendo televisão ou fazendo qualquer outra coisa. E sua mãe veio lhe tirar do prazer. E essa é reação de uma criança normal.
Esse mecanismo é o sistema límbico em ação.
Na maioria das vezes essa mãe sem lucidez, grita e age de igual para igual com uma criança de 3 anos. Ou tenta explicar de forma pedagógica porque ela precisa tomar banho, o que não vai adiantar muito neste momento. E nenhuma das duas entende o que está acontecendo.

O sistema límbico só funciona com gente normal. E nossa sociedade por ignorância chama isso de criança mal educada, birrenta. E não compreende que é uma fase, que precisa ser vivida.
Do ponto de vista neurológico, é quando a criança começa a criar identidade, e se foi bem criada na fase oral, agora ela vai começar a dizer NÃO. Filha vamos comer? Não. Filha vamos prender os cabelos? Não. Filha vamos tomar banho? Não…
Ela não faz isso para te irrita, nem para ser do contra.
Ela diz não, para te dizer que ela tem um querer, que você é você e ela é ela.
Do ponto de vista psíquico aparece a função do reconhecimento do outro, e de si mesmo através dos porquês. Mamãe porque você colocou os sapatos? mamãe porque você ligou o ventilador? Porque isso? Porque aquilo?
Trata-se da formação de uma identidade de pertinência. O ato do outro me interessa.

E tudo é meu, esse é o MEU pai, o MEU brinquedo, é a MINHA mãe. (filha, empresta o brinquedo para o coleguinha? Não, é meu). É uma criança normal.

Outra característica dessa fase é marcar o território. Outro dia dei uma vasilha com uns biscoitos para Vick e observei que ela mordia um, depois o outro, e outro. E por falta de conhecimento, interferi. Disse que ela tinha que comer um de cada vez.
E ao me aprofundar no assunto descobri que esse é um ato feliz e normal até os 4 anos e meio. Pertinência (vou marcando as coisas para sentir que são minhas). A casa é o território dela.
assim como é biológico nos animais, urinar nos locais para marcar o território, enterrar ossos. A criança morde todos os seus biscoitos, ou esconde em algum lugar, para ter esse mesmo sentimento.
Hoje em dia, munida de conhecimento, já não interfiro, só observo.
Faz parte do desenvolvimento da criança.

O egoísmo, o egocentrismo. Faz parte da formação da identidade. E interferir nessa formação não cabe a nós, para que essa criança não tenha prejuízos futuros.

Sabe a metáfora da borboleta?
Um homem, certo dia, viu surgir uma pequena abertura num casulo. Sentou-se perto do local onde o casulo se apoiava e ficou a observar o que iria acontecer, como é que a lagarta conseguiria sair por um orifício tão miúdo. Mas logo lhe pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso, como se tivesse feito todo o esforço possível e agora não conseguisse mais prosseguir. Ele resolveu então ajuda-la: pegou uma tesoura e rompeu o restante do casulo. A borboleta pôde sair com toda a facilidade… Mas seu corpo estava murcho; além disso, era pequena e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observá-la porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se estendessem para serem capazes de suportar o corpo que iria se firmar a tempo. Nada aconteceu! Na verdade a borboleta passou o restante de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar. O que o homem em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura eram o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo daquele pequenino inseto circulasse até suas asas para que ela ficasse pronta para voar assim que se livrasse daquele invólucro.

Isso é o que muitas vezes fazemos com nossos filhos.

É nessa fase também que a criança arranca a cabeça das bonecas, separa os braços do corpo, rasga revista, pica talão de cheque, puxa as folhas das plantas. Bagunça tudo que está fora, para juntar dentro da cabecinha dela.
Você já viu uma criança que fez um desenho, mostrou para alguém, a pessoa elogiou e depois ela rasgou?
Que a mãe penteou os cabelos, a criança mostrou para o pai e depois bagunçou? Parece estranho né? Mas é absolutamente normal. É a maneira que eles têm de internalizar. É preciso desmontar fora, para juntar e guardar dentro de si, como um quebra cabeça na mente.

Então o que cabe a nós, nessa fase? Já falei em outro post e vou falar novamente. Se você tem uma criança em casa, vivendo essa fase, tenha o cuidado de tirar do raio de alcance dela, tudo aquilo que não é permitido mexer, e deixe a criança livre para que se desenvolva. Porque isso faz parte da formação psíquica dessa criança.
Outro ponto de atenção, é no que se refere aos limites. Quando criança, e quando adolescente, o individuo precisa sentir que alguém toma conta dele. E precisa fazer distinção do que sou eu, e de que é ele. Do meu desejo.
Não vai fazer isso, porque a mamãe não quer. Nunca porque não pode. Pode. Mas é meu desejo que não faça.
O “eu não quero” é o limite, o desejo de quem cuida. E precisa explicar para a criança? Sim. Quando ela perguntar porquê não pode?
– Porque EU não quero!
Se você explica, não é limite, é regra.
Isso foi dito no século XX, pelo pediatra e psicanalista inglês Doanld Winnicott, esse cara dedicou toda a vida dele a estudar o comportamento das crianças. E é muito difícil convencer os adultos disso.

Quando eu digo a uma criança: não faça isso, não mexa aqui. Eu aciono o sistema límbico dela e nem sempre estamos prontos para suportar isso. Às vezes já suportamos o dia inteiro o sistema límbico do nosso chefe, ou estamos segurando o nosso. Ou ainda, estamos na vibe da pedagogia do amor, que não se pode frustrar os filhos porque mais cedo ou mais tarde eles já serão frustrados lá fora. O que esquecemos é que o mundo lá fora não tem pai e nem mãe. Se você como educador, cuidador, curador, zelador dessa criança, for permissivo, não fizer isso agora, quando adolescente ou adulto ele não vai saber como lidar com a frustração, com a raiva, com o medo, com a angústia. E vai se transformar naquele menino que quando a namorada termina com ele, ele quer matá-la, porque ele não suporta o NÃO. Quando alguém fecha ele no transito, ele corta por cima da calçada para ultrapassar a pessoa, aquela pessoa que não consegue controlar a própria raiva, às vezes até se machuca, machuca o outro. Entende até onde isso reflete?

Então como devemos agir para criar indivíduos dotados de inteligência emocional e saúde mental?

Parece simples… Desse lado aí você não imagina o quanto eu também tenho que me controlar. Até mesmo porque a psicologia usada pela minha mãe, não sei se você conhece. Foi a do cipó, a do cinto…

Então vamos na prática.
Filha vamos tomar banho.
– Porque?
Porque a mamãe quer.
E ela dar aquele show, furiosa. Você pega a criancinha, sem explicações, a leva para o banho, controla o seu sistema límbico também, e com toda calma, faz tudo que tem que fazer. Quando joga água a raiva melhora, você oferece a esponja com sabão e a pessoinha começa passar na parede, você começa a lavar os cabelos e ela com raiva querendo brigar, diz que ta machucando, que o shampoo ta ardendo os olhos, ta puxando os cabelos. Você desliga o chuveiro e o ser humaninho agora chora porque quer ficar no banho. A toalha incomoda. E a briga agora é para não vestir a roupa, essa roupa eu não quero. Você veste assim mesmo.
passados alguns minutos, como se nada tivesse acontecido. La vem a pessoinha feliz te abraçar, pedir alguma coisa.
O que aconteceu? O sistema límbico foi acionado no momento que a tirou do prazer, teve começo, meio e fim. Parou de funcionar, e ela submeteu-se ao desejo da mãe.
Se você tiver paciência e fizer isso por 8 dias, no 9° dia quando você disser: filha vamos tomar banho? Ela vai dizer: eu posso levar a boneca? A bola? E vai tranquila.

Estou falando de psiquismo. Autoestima – a possibilidade ética de eu gostar de mim. Alguém sem autoestima, é alguém que procura na estática, uma maneira de gostar de si. Uma crise do sistema límbico é feio, é vergonhoso. E suportar isso é belo, suportar que eu posso sentir raiva quando estou no meu desprazer, é um sentimento ético. E isso vai formar um ser humano melhor.

Não confunda autoritarismo com autoridade. Autoritarismo seria dizer: vamos tomar banho e se chorar apanha.
Cala a boca, se não eu vou te dar motivos para chorar de verdade.
A autoridade parental é indispensável para a construção do caráter e da personalidade dos filhos. Crianças criadas sem consciência de limites se tornam adultos frustrados, sem respeito pelo próximo ou a si mesmo.

Conhecendo as funções do sistema límbico

O sistema límbico é o responsável basicamente por controlar as emoções e as funções de aprendizado e da memória, localizado nas estruturas do cérebro tem formato de um anel cortical de cor acinzentada, formado por neurônios ele possui várias estruturas e cada uma delas tem suas funções.

Estruturas do Sistema Límbico 
– Hipotálamo: O tamanho desta estrutura é menor do que um grão de ervilha, representando menos de 1% do tamanho do cérebro, tem como função regular o sono, a libido, o apetite, e a temperatura corporal fazendo o sangue resfriar;

– Corpos mamilares: Se relaciona com o Hipotálamo, tem função de regular os reflexos alimentares do homem, a deglutição e o desejo por algum alimento delicioso;

– Tálamo: Se encontra nos dois lados do cérebro, é responsável pelos quatro sentidos do homem, e também é responsável pela sensação de dor, quente ou frio, pressão de um ambiente nos ouvidos;

– Giro cingulado: Adjacência do Tálamo, estimular esse local com algum medicamento ou problema psicológico pode causar alucinações, alterações das emoções, estrutura que causa grande interesse aos neuropsicológicos, além de controlar o poder do olfato e visão;

– Amígdala: O cérebro possui duas amígdalas está localizada no lobo temporal ambos os lados, responsável pela sensação de perigo, medo e ansiedade;

– Hipocampo: Está localizado no lobo temporal, tem função pela memoria recente, quando uma pessoa tem acesso a uma memoria recente o hipocampo faz com que o metabolismo aumente o fluxo sanguíneo.

Fonte: Portal Educação

Pronação dolorosa (deslocamento do cotovelo)

Olá, depois de muito tempo…

Férias, sempre bom né.

Já estou de volta à realidade, rotina organizada e gostaria de compartilhar com vocês uma ocorrência das férias.

As lindas fotos abaixo me fizeram passar o maior aperto, uma velha e danosa brincadeira que quase todos nós fazemos.

Balançamos Vick pelos braços, no que a colocamos no chão ela encolheu o bracinho e começa a chorar, eu percebendo que se tratava de choro de dor, fiquei desesperada.

Achei que tivesse lesionado minha pequenina. Fomos ao hospital em Berlin, para a nossa sorte, lá todos se viram no inglês 🙏🏻 em alemão ficaria complicado…

A médica plantonista olhou, e nos encaminhou para a pediatria em outro hospital.

Depois de 3 horas de espera, ela examinou, até então Vick ainda chorava quando mexíamos no bracinho.

A pediatra disse que só foi um susto, estava tudo na mais perfeita ordem.

Eu mexi de novo para me certificar, ela chorou. Depois disso esticou o braço e disse que não estava mais doendo.

Realmente só foi um baita susto, e foi aí que descobri que este tipo de lesão é bastante comum na criança entre 18 meses e 04 anos de idade. Nesta faixa etária o cotovelo da criança não está ainda bem formado e apresenta muita frouxidão ligamentar.

O cotovelo é uma dobradiça formada pelo encontro do osso do braço (úmero) encaixado em um osso do antebraço (ulna). No antebraço existe outro osso (rádio), localizado no lado do polegar, e no cotovelo ele interage com a ulna para realizar a rotação do antebraço (chamada de movimento de prono-supinação) .

A cabeça do rádio é presa na ulna por uma ligamento que a envolve como um anel (ligamento anular)

Se ocorre uma tração no rádio para longe do cotovelo ocorre lesão do ligamento anular (que é fino nesta faixa etária) e deslocamento da cabeça do rádio do encaixe no osso vizinho.

 

SINTOMAS

A criança começa a chorar e mantém o braço parado ao lado do corpo com a palma da mão virada para trás. Se recusa a levantar o braço acima da cintura que causa desconforto e não usa a mão deste lado (se você tenta lhe oferecer algo, por instinto ela apanhará com a outra mão). Tem dor quando tentamos “rodar”o antebraço. Ela até para de chorar mas mantém o braço imóvel ao longo do corpo para grande apreensão dos pais.

CAUSAS

A causa da lesão pode ser óbvia, como quando os próprios pais puxaram a criança pelo braço, mas em algumas circunstâncias pode ser obscura; a criança não sabe contar aos pais o que ocorreu e a babá afirma que a criança caiu…

Muitas vezes é uma combinação do movimento da criança e de um adulto.

• A criança se joga no chão e um adulto tenta levantá-la pela mão (levante-a segurando por baixo dos braços).

Evite brincadeiras de balançar a criança segurando-a pelas mãos

• A criança está segura pelo braço quando sofre uma queda súbita.

• segurar a criança pela mão para ela não sair correndo

• puxar a criança quando estamos andando de mãos dadas e estamos com pressa (lembrar que o passo da criança é menor)

O QUE FAZER?

Leve a criança para o hospital o mais rápido possível. Um médico Ortopedista irá determinar se não há fratura ou algo mais grave.

Em geral, não há dor á palpação do cotovelo e nem inchaço.

A radiografia não é necessária se não há sinais de fratura no exame físico, pois na pronação dolorosa a radiografia aparece normal apesar do deslocamento do rádio.

TRATAMENTO

Após acalmar a criança e os pais e estabelecer uma relação de confiança, o médico realiza uma manobra, chamada de  redução , que é  bastante simples, sendo realizada no consultório, sem necessidade de qualquer anestesia.

É realizada rodando o antebraço para colocar a mão virada para cima e depois fletindo o cotovelo enquanto segura o braço – pode sentir um click (isto pode causar um breve desconforto , mas  em geral a criança recupera  rapidamente a movimentação do braço).

Pedimos para os pais aguardarem na recepção por uns 15 minutos e na reavaliação a criança já está utilizando normalmente a mão.

Habitualmente não há necessidade de nenhum tipo de imobilização ou fisioterapia após a redução, porém algumas crianças permanecem com desconforto, mesmo após a redução, talvés pelo cotovelo ter sofrido o deslocamento e machucado o ligamento.

Nestes casos imobilizamos com tala gessada, prescrevemos medicação para dor e reavaliamos em 03 dias.

Algumas crianças têm maior predisposição á esta lesão e os episódios podem ser recorrentes. Isto não é motivo para preocupação, pois as lesões devem cessar com o crescimento da criança, não deixando nenhuma sequela.

Prevenção:

Evite puxar a criança pelas mãos conforme explicado anteriormente, especialmente se esta já tem história de pronação dolorosa. Neste caso oriente também a babá, os parentes e as outras pessoas que terão contato com a criança.

 

texto: DR. EDUARDO PEREIRA