Maternidade

E quando acaba a licença maternidade, o que fazer?

Volta à ativa ou pausa a vida em função de outra vida?

O primeiro post sobre maternidade não poderia ser diferente, vou falar da escolha que fiz. Particularmente uma das mais extraordinárias da minha vida, e certamente a mais importante da vida da pequena Victoria. É cientificamente comprovado que os primeiros anos de vida de uma criança têm influencia direta com o adulto que se tornará. Um ser humano correto, empático, confiante, seguro de suas emoções, responsável, criativo, corajoso, trabalhador, focado, organizado, persistente… E tantas outras características que podem e devem ser estimuladas na primeira infância, a hora é essa. De 0 a 3 anos é uma fase crítica de desenvolvimento cerebral e da compreensão da criança para com a sociedade como um todo. Tendo conhecimento disso, e ponderando minha decisão por esta perspectiva, perguntei a mim mesma: A quem eu posso delegar essa missão tão importante? É possível parar profissionalmente e retomar depois? Eu tenho condições financeiras e psíquicas de ficar fora do mercado de trabalho? Perder minha independência financeira? E a resposta foi sim ou talvez…
A infância da criança só acontece uma vez. Ou seja, só temos uma chance de fazer isso. E para te falar a verdade, passa num piscar de olhos. (estou escrevendo isso 2 anos depois)…

Como construir um belo palácio sem uma base firme? Como pensar num futuro melhor, para o nosso país, para o mundo, se não paramos para olhar para as crianças? Elas são o futuro da humanidade. Separar a mãe da criança e interromper esse desenvolvimento aos seis meses de vida é um erro irreparável. O ideal é que façamos isso com 2 ou 3 anos, porque? Primeiro por conta do sistema imunológico do bebê que até os 2 anos não está totalmente desenvolvido e isso o deixa mais suscetível a infecções. E nessa fase do bebê ele ainda está totalmente envolvido com a mãe, é a única pessoa a que ele reconhece, que se sente seguro e confortável.
Lá pelos seus 3 ou 4 meses de vida o bebê começa a sentar, depois daí começa engatinhar e vai acontecendo naturalmente este DESenvolvimento do bebê com a mãe, o bebê começa a ficar em pé, balbuciar alguma coisa, dar os primeiros passos, as primeiras palavrinhas… Mas até então a referencia dele é a mãe. Com um ano e meio já começa a pedir alguma coisa, a não aceitar outras. Depois dos 2 anos já sabe dizer o que aconteceu, e aí é outra fase terrível, literalmente. A conhecida como terríveis 2 anos, que nada mais é que manifestações cognitivas, ele começa a descobrir que não faz parte da mãe, que ele é um serzinho independente, que tem vontades, e essas vontades começam a se manifestar. É uma fase de desordem, descontrole emocional. Mas em busca dessa ordem, digamos assim, de equilíbrio. Porém esse já é assunto para outro post, passando essa fase que vai até os 3 anos, a criança está pronta para se ausentar da mãe. Ela jura ser independente… rsrs
Ok Jô, mas você falou aí do ideal. E na vida real, no mundo de hoje, nessa loucura e escassez que está a vida. O que fazer?

Antes da Vick eu era extremamente ativa, vida de tripulante não tem hora nem lugar. Trabalhava muito, estudava, dava aula… Era independente financeiramente desde os 17 ano. Tinha um bom emprego e pensar lá na frente tendo que pedir dinheiro para o marido até para comprar uma calcinha… Era muito difícil para mim, ainda mais carregando os traumas de infância, o senhor meu pai largou minha mãe e foi viver com outra mulher quando eu ainda era pequena, nunca nos deu nada. Pus-me a pensar nisso, bateu aquele medo, insegurança.
E ao fim da licença maternidade retornei ao trabalho, de cara já fiquei 3 dias sem a pequena. Ficou na creche durante o dia e na casa dos avós paternos com uma babá a noite e eu em outra cidade com o coração apertado assim como a maioria das colegas em sala de aula na mesma situação. Nessa altura Vick estava com dificuldades respiratórias por conta do inverno, a imaturidade do sistema imunológico que mencionei lá atrás, e exposição ao ambiente de contaminação (creche), o peitinho estava chiando muito, a levei num pronto socorro numa sexta a noite e lá ela ficou por 10 dias, internada com bonquiolite. Foi ali que decidi, pensei 20 anos à frente e priorizei a ela.
Eu falei e falei da mãe, mas o pai tem um papel muito importante nesse momento, sem apoio com certeza minha escolha teria sido outra. Já não tenho pais, e nenhum familiar próximo com quem pudesse contar. Então ela ia ter que me perdoar, porque eu teria dado o melhor de mim no tempo que tivesse disponível, afinal temos que comer, vestir, calçar, entre outras necessidades. Nessa hora o pai tem um papel crucial, ele é o porto seguro, e não estou falando só de apoio financeiro, estou me referindo também a amparo psicológico.

Para a minha sorte o Brasil estava numa situação financeira terrível e a empresa onde eu trabalhava precisava reduzir mais de 800 tripulantes e nessa época ofereceram Licença Não Remunerada e Programa de Demissão Voluntária, que providencia divina. Peguei licença não remunerada de 2 ano, Victoria já estava com 8 meses. Nos organizamos e viemos para Moçambique, onde o pai estava há 2 anos e onde pretendia ficar por mais 2.
Hoje ela tem 2 anos e 2 meses e confesso de todo o meu coração, eu não poderia ter feito escolha melhor! Depois de me despir de minhas asas e ficar em terra firme com ela, resolvi entender como esse universo funciona (universo infantil). Gente, é a coisa mais magnífica que já vi, que experiência incrível!! Mas já vos digo, não adianta estar só fisicamente com a criança, é preciso estudar para ser o educador da criança, existe uma diferença entre ser cuidador e educador. Não fiquei em casa só pra dar comida, trocar fraldas, colocar para dormir e ligar a galinha pintadinha. Eu resolvi realmente fazer bem feito, afinal eu abri mão de muita coisa para está aqui. Corri atrás de conhecimento a respeito desses pequenos seres, métodos de educação infantil, Programação Neuro Linguística, neurociência para entender como funciona o cérebro dos bebês e das crianças, para assim estimular da melhor forma possível. Dedicação em tempo integral com máxima qualidade. Não se trata de uma competição, ah o meu fez isso primeiro que o seu, o meu é assim ou assado.
Não, estou falando de ciência, de estudos, de estímulos, metodologia. E por trás de tudo isso, reforçamos laços afetivos, formando uma pessoa segura e forte emocionalmente (psicologicamente saudável).

Caros leitores, o resultado de todo esse empenho, é surpreendente. Ela é uma menina adorável, não é porque estou falando da minha filha não tá, ela é maravilhosa!!! Super meiga, carinhosa, inteligentíssima, compreensiva, organizada. O desenvolvimento sempre acima da média para a idade.
Mas o que quero dizer é que ela não nasceu com QI mais elevado que nenhum outro bebê, isso se deve aos estímulos que ela recebe. E é exatamente isso que venho compartilhar com vocês, como criar um ambiente adequado para um desenvolvimento harmonioso do sistema nervoso, sem gerar risco para o futuro. Coisas simples que são possíveis de fazer com um bebê para resultados extraordinários e ter um adulto com todas aquelas características do inicio do texto.
Tenho muito orgulho do trabalho que tenho feito, e quero que você tenha também.

Acabei colocando ela na escolinha aos 2 anos. Porque onde vivo não tem parques como no Brasil, e o contato com outras crianças na faixa etária dela era raro. Mas ela já sabia falar tuuudo. Sabe o nome e idade dela, do pai e da mãe em que andar mora rsrs… Dizer se alguém bateu, quem fez isso ou aquilo, como e onde se machucou, conta historias, já sabia todo o alfabeto em português e inglês, de 1 a 10 em português e inglês, cores e formas, faz associações, canta em 2 idiomas, tem respostas rápidas e um raciocínio lógico fora do comum. Foi para uma turminha de 2 a 3 anos, faz e identifica coisas que os de 3 ainda não são capazes. Isso é extremamente gratificante.
Se você tem dúvidas de qual decisão tomar, saiba que essa não tem preço. Não pense 2 vezes, e não carregue o peso dessa escolha como se fosse um fardo. Pois é um PRIVILÉGIO! Mas se você não tem essa oportunidade, dê o melhor de si no tempo que tiver, esteja integralmente para seu bebê quando estiver ao lado dele e viva cada momento intensamente, pois passa numa velocidade absurda.

Seja bem vindo ao desafio de educar como não fomos educados, o desafio de oferecer agora o que você teve que correr atrás depois de adulto, quando tudo já é tão mais difícil.

Vem comigo, essa é a melhor viagem de sua vida!

Por Joseana Sousa

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